Líder rebelde apóia processo de paz da ONU no Congo

Ex-general afirma que permitirá a formação de corredor humanitário para que população receba ajuda

Efe,

17 de novembro de 2008 | 08h17

O líder rebelde Laurent Nkunda se comprometeu a respeitar o cessar-fogo e a apoiar o processo de paz que será iniciado pela ONU após os confrontos que forçaram 250 mil pessoas a abandonarem suas casas no leste da República Democrática do Congo (RDC). O enviado especial da ONU à RDC, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e Nkunda se reuniram no domingo, 16, na cidade congolesa de Jomba, próxima à fronteira com Uganda e Ruanda, após mais de dois meses de contínuos enfrentamentos entre o Exército e as forças rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP).   Veja também: Guerra do Congo se espalha pela África Histórico dos conflitos armados no Congo   Segundo Nkunda, além de respeitar um cessar-fogo e apoiar o processo de paz iniciado pela ONU, os rebeldes permitirão a formação de um "corredor humanitário" para permitir a chegada de ajuda humanitária à população congolesa, que sofre com o conflito que castiga o leste da RDC desde 1998. "Apoiamos a missão (de Obasanjo) e cumpriremos nossa parte para que possamos alcançar a paz", declarou Nkunda à imprensa pouco após o final da reunião.   Embora Nkunda tenha apoiado a iniciativa da ONU de começar um novo processo de paz, disse que seu adversário político, o presidente da RDC, Joseph Kabila, também deveria respeitar a cessação das hostilidades. Por outro lado, o enviado da ONU declarou que seu encontro com Nkunda foi "muito bom" e que o líder rebelde "quer manter o cessar-fogo", mas que isto é algo que deve ser respeitado pelas "duas partes". "O cessar-fogo é como dançar tango: não se pode fazer sozinho", ressaltou.   Antes de se reunir com Nkunda, Obasanjo visitou vários campos de refugiados na região da província de Kivu Norte e se reuniu com autoridades locais. O enviado especial da ONU sobrevoou a zona em helicóptero para conhecer a situação militar e humanitária, informaram fontes da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc). Posteriormente, Obasanjo seguiu para Bunagana, a 70 quilômetros de Goma, para se reunir com Nkunda.   As conversas entre Obasanjo e Nkunda são de especial importância, já que nenhum dos ministros de Relações Exteriores nem os enviados especiais da União Européia (UE) conseguiram falar com o líder rebelde em suas visitas à RDC. Obasanjo conversou recentemente com Kabila e com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, para informar a eles o que tinha sido decidido na Cúpula de Nairóbi, promovida pela ONU e a União Africana (UA) sobre o conflito na RDC.   Enquanto isto, os combates foram retomados entre forças do governo e rebeldes em Ndeko, na região de Rutshuru, a 20 quilômetros de Kanyabayonga, para onde a Monuc enviou reforços, declarou o porta-voz da ONU Jean-Paul Dietrich. Segundo a Monuc, rebeldes do CNDP atacaram as posições dos soldados das Forças Armadas da RDC posicionados em uma interseção da estrada que liga Goma a Butemo, embora as forças do Governo tenham conseguido dispersar a ofensiva.   O começo do atual conflito na RDC remonta a 1998, quando os rebeldes Baniamulenges, tutsis de origem ruandesa, se levantaram contra o Governo do então presidente congolês, Laurent Kabila, que tinha chegado ao poder em meados de 1997 com o apoio dos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tenha acalmado depois que Nkunda e Kabila assinaram um acordo de paz em 23 de janeiro. Nkunda acusa o governo de seu país de não defender adequadamente os direitos não apenas de seu grupo étnico, mas de toda a população congolesa, das supostas incursões dos hutus ruandeses no leste da RDC.

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