Líder rebelde é morto no Sri Lanka, diz TV estatal

Velupillai Prabhakaran, chefe dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, teria sido morto em emboscada do governo.

BBC Brasil, BBC

18 de maio de 2009 | 15h09

O líder do grupo rebelde Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, Velupillai Prabhakaran, foi morto nesta segunda-feira, segundo informações do Exército divulgadas pela televisão estatal do Sri Lanka.

De acordo com o Exército, também foram mortos o chefe de inteligência do grupo, Pottu Amman, e o chefe do braço naval, Soosai.

Relatos não confirmados dizem que os três foram atingidos por tiros na cabeça em uma emboscada no distrito de Mullivaikal, enquanto tentavam fugir da zona de guerra em uma ambulância.

Ao anunciar a morte, o governo disse ter vencido o grupo rebelde e colocado fim a 26 anos de luta. "Hoje nós terminamos o trabalho que nos foi designado pelo presidente de livrar o país dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil", disse o comandante do Exército, general Sarath Fonseka.

Mensagens de celular

O departamento de Informação do governo do Sri Lanka também enviou mensagens de texto por celular para diversas pessoas no país anunciando a morte de Prabhakaran.

Em entrevista à TV estatal, o porta-voz do Exército Udaya Nanayakkara disse que 250 rebeldes foram mortos durante a noite e que todo o território disputado pelos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, no norte do país, está agora em poder do governo.

As informações não puderam ser confirmada por fontes independentes, já que jornalistas estão impedidos de entrar na zona de conflito.

O governo não divulgou nenhuma foto do corpo de Prabhakara, e o Exército diz que está trabalhando para identificar o líder rebelde entre os outros mortos.

Segundo o correspondente da BBC no Sri Lanka, Charles Haviland, depois do anúncio da morte de Prabhankaran, diversas cidades foram palco de comemorações.

Houve também protestos contra a Grã-Bretanha, acusada por manifestantes de tentar ajudar os rebeldes ao ter pedido um cessar-fogo.

Morte de civis

Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, ministros do Exterior da União Europeia reunidos em Bruxelas condenaram a morte de civis durante os confrontos entre o governo e os rebeldes e pediram a investigação de supostos crimes de guerra por parte de ambos os lados.

Os ministros europeus também pediram que o governo permita que organizações assistenciais cheguem à zona de conflito para distribuir comida e medicamentos os civis afetados pelos confrontos.

Fontes da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam que ainda há civis na zona de combate, mas o governo diz que todos já saíam da região.

Os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil chegaram a controlar quase um terço do Sri Lanka, mas nas últimas semanas, tropas do governo vinham conquistando território dos rebeldes. Nos últimos dias, o grupo rebelde controlava apenas uma pequena área de 1,5 Km quadrados.

O grupo rebelde vinha lutando por um território independente no norte e no leste do Sri Lanka desde a década de 70. A guerra civil pela pátria Tâmil já causou a morte de mais de 70 mil pessoas.

Sob o comando de Prabhakaran, o grupo rebelde é acusado de ter assassinado diversos líderes políticos do Sri Lanka, além do ex-primeiro-ministro da Índia Rajiv Ghandi.

Vários países consideram os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil uma organização terrorista, e Prabhakaran era procurado pela Interpol (a polícia internacional) por acusações de assassinato, terrorismo, crime organizado e conspiração. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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