Líder rebelde quer negociações diretas com governo do Congo

Após anunciar cessar-fogo na quarta, general tutsi Laurent Nkunda pede diálogo para terminar conflito

AP e Reuters,

30 de outubro de 2008 | 16h14

O general das forças rebeldes da região próxima à capital provincial de Goma disse nesta quinta-feira, 30, que quer negociar diretamente com o governo para terminar o conflito na região e mostrar suas objeções o plano de US$ 5 bilhões que dá à China acesso as vastas regiões minerais do país em troca de uma ferrovia e rodovia.   Veja também: Congo acusa Ruanda de apoiar rebeldes Histórico dos conflitos armados no Congo   Laurent Nkunda afirmou à agência Associated Press que quer o desarmamento urgente de uma milícia ruandesa hutu, que ele considera uma ameaça a sua minoria tutsi. Ele alega que o governo congolês não protege os tutsi dos hutu, que escaparam para o Congo após terem ajudado a realizar o genocídio de 1994 em Ruanda, no qual meio milhão de tutsis foram assassinados.   Nkunda afirma que as tropas do governo estão colaborando com a milícia hutu, o que é negado pelo Congo. "Não é aceitável que os soldados do governo lutem ao lado de genocidas", disse. "Nós queremos paz para as pessoas na região."   O general rebelde ameaçou tomar Goma, região próxima à fronteira com a Ruanda, apesar dos pedidos do Conselho de Segurança da ONU para que ele respeitasse um cessar-fogo mediado pela organização em janeiro.   A missão da ONU na região, que conta com 17 mil homens, tenta proteger a população e parar a rebelião, pedindo reforço urgente. Até agora, Nkunda tem observado as demandas da ONU para ficar longe de Goma e pediu uma trégua para o conflito na quarta-feira.   Tropas congolesas e da ONU patrulhavam a cidade de Goma nesta quinta-feira, depois que várias pessoas foram mortas em lutas e saques durante a madrugada, disseram oficiais do Exército e testemunhas. A cidade mergulhou no caos na quarta, quando rebeldes da etnia tutsi chegaram à cidade.   "Houve vários tiroteios na noite passada. Tive muita sorte por acordar vivo hoje", disse um morador de Goma que, quando perguntado qual era o seu nome, respondeu apenas: "Kerin". A força de paz da ONU vai mandar reforços à cidade, que é um importante centro comercial na fronteira entre Congo e Ruanda.   As lutas fizeram com que dezenas de milhares de civis fugissem de suas casas na província de Kivu do Norte, onde agentes humanitários dizem que dois anos de violência transformaram quase 1 milhão de pessoas em refugiadas, apesar do fim da guerra do Congo (1998-2003).   Ban ki-Moon, secretário-geral da ONU, disse que a violência está criando uma crise humanitária "de dimensões catastróficas". Muitos dos tutsis que moram em Goma fugiram pela fronteira com a cidade ruandesa de Gisenyi, com medo de represálias. "Todos os tutsis atravessaram. As pessoas não se sentem seguras", disse Jonh Kanyoni, empresário tutsi, por telefone, falando de Gisenyi.   Histórico   O início do atual conflito no Congo se remonta a 1998, quando os rebeldes banyamulenges - tutsis de origem ruandesa - levantaram-se contra o governo de Laurent Kabila, quem tinha chegado ao poder em meados de 1997, apoiado pelos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tivesse se acalmado depois que Nkunda e o atual presidente, Joseph Kabila, assinassem um acordo de paz, em 23 de janeiro.   Em 10 de outubro, porém, Kabila exortou publicamente os congoleses a se mobilizarem "para apoiar as tropas e o governo e preservar a unidade e a paz de nosso país", enquanto Nkunda chamou os cidadãos a se levantarem "contra um governo que traiu seu povo."   Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram na RDC por causa do conflito, no qual os governos de Kinshasa, Campala e Kigali se acusam mutuamente de apoiar os grupos rebeldes que atuam em seus países. Em um relatório divulgado no início deste ano em Kinshasa, pouco após a assinatura do último tratado de paz, a organização humanitária International Rescue Committee assinalou que os conflitos e as crises humanitárias continuam causando uma média de 45 mil no país a cada mês.   "Em termos de número de mortos, o conflito congolês e suas conseqüências ultrapassam qualquer outro desde a Segunda Guerra Mundial", indicava o documento.

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