Tom Brenner/ The New York Times
Tom Brenner/ The New York Times

Líder republicano na Câmara, Paul Ryan anuncia que não disputará reeleição

Político conservador diz querer passar mais tempo com a família e nega que decisão tenha sido influenciada pela turbulência na Casa Branca de Donald Trump; anuncio desata disputa pela liderança no Congresso americano

O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 15h15

WASHINGTON - O presidente da Câmara de Deputados dos Estados Unidos, o republicano Paul Ryan, de 48 anos, não tentará a reeleição na votação legislativa de meio de mandato em novembro e vai se aposentar da vida parlamentar em janeiro, ao final de seu mandato.

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Ryan, segundo na linha de sucessão à presidência americana, afirmou que continuará no cargo durante as legislativas de novembro, em que os republicanos podem perder a maioria do Congresso.  "Este ano será meu último como membro da Câmara", declarou em entrevista.

O legislador de Wisconsin aceitou relutantemente a liderança da Câmara em 2015 e nunca apoiou completamente o atual presidente americano, seu correligionário Donald Trump. Ele disse, no entanto, que sua decisão de não buscar a reeleição é motivada pelo desejo de passar mais tempo com sua família e não pela turbulência na Casa Branca.

"O que eu percebo é que, se ficar aqui por um outro período, meus filhos só terão um pai de final de semana, eu não posso deixar isso acontecer", disse ele.

Trump elogiou Ryan como "um homem realmente bom". "Embora ele não busque a reeleição, deixará um legado de realizações que ninguém pode questionar - estamos com você, Paul!", tuitou o republicano.

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"Depois de quase 20 anos na Câmara, o presidente se orgulha de tudo o que conseguiu e está disposto a dedicar mais tempo a ser marido e pai", indicou por sua vez Brendan Buck, conselheiro do presidente da Câmara, em comunicado.

"Embora não tenha procurado o posto, disse a seus colegas que ser presidente da Câmara foi a honra profissional de sua vida e lhes agradeceu pela confiança que depositaram nele", acrescentou o conselheiro. 

Chuck Schumer, principal liderança democrata no Senado, elogiou Ryan, a quem descreveu como "um bom homem que é sempre fiel à sua palavra". 

Schumer acredita que, nos meses que lhe restam no Congresso, Ryan "se libere das facções duras de direita de sua bancada, que impediram que o Congresso concretizasse coisas". Disse ainda que, se Ryan quiser procurar os democratas, vai encontrá-los "dispostos e ansiosos para trabalhar com ele".

A decisão de Ryan abre a disputa pela liderança republicana na Câmara dos Deputados, com Kevin McCarthy e Steve Scalise vistos como os principais candidatos para o posto.

Ryan, um conservador apegado à disciplina fiscal, não deu pistas sobre suas futuras ambições políticas. Sua conquista mais importante como líder republicano no Congresso foi a aprovação, em dezembro, de uma importante reforma tributária que incluiu cortes acentuados nos impostos corporativos.

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Os rumores sobre sua partida circulam há meses em Washington. No começo do ano, o próprio Ryan chegou a negá-los. Mas nesta quarta-feira assegurou que, depois de 20 anos no Congresso, tinha certeza de que deixaria a maioria republicana "em boas mãos com um futuro brilhante".

Sua partida, no meio da convulsiva presidência Trump, revela o caos dentro do Partido Republicano, que em pouco mais de seis meses enfrentará eleições importantes, quando todos os 435 assentos na Câmara e um terço do Senado serão renovados.

O partido, profundamente dividido entre conservadores e moderados, foi descrito como ingovernável. E o atual governo levantou questões sobre o papel do conservadorismo tradicional no contexto republicano. / AFP

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