Líder republicano tenta unir partido na Câmara

Com fama de 'chorão', John Boehner assume presidência do Legislativo americano com o desafio de preparar caminho para eleições de 2012

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

O republicano John Boehner assumiu no dia 5 o cargo de presidente da Câmara dos Representantes dos EUA com o objetivo de comandar a oposição ao governo do presidente Barack Obama e consolidar o caminho do Partido Republicano rumo às eleições de 2012. Boehner, porém, tem entre seus principais desafios controlar a ala mais radical de seu partido e reconquistar a confiança do povo americano nos republicanos.

"Boehner estabeleceu uma agenda ambiciosa para esta legislatura e tem como prioridade tentar revogar a aprovação da reforma do sistema de saúde de Obama", disse ao Estado, por telefone, o estrategista político do Partido Republicano Brian Donahue. Os planos do deputado, entretanto, dificilmente serão realizados, já que uma revogação da lei na Câmara - controlada hoje pelos republicanos, que têm 242 cadeiras contra 193 dos democratas - não deve sobreviver a uma votação no Senado, onde os democratas ainda têm maioria, e ao poder de veto do presidente Obama.

Apesar de estar em seu décimo mandato como deputado em Washington, pouco se sabe sobre Boehner, eleito pelo Estado de Ohio. Duas características, porém, são sempre lembradas a seu respeito. A primeira é o forte tom alaranjado de sua pele - o qual muitos acreditam ser resultado de sessões contínuas de bronzeamento artificial. Em uma recente entrevista ao programa de TV 60 minutes ele negou os boatos - aos prantos. Este é o outro aspecto que as pessoas mais comentam sobre o deputado: ele chora com facilidade.

"Mesmo não sendo muito conhecido, Boehner sempre demonstrou ter um compromisso com os valores conservadores do Partido Republicano e, durante anos, serviu como conselheiro político em Washington", afirmou Donahue. De acordo com o estrategista, Boehner ainda terá um papel-chave nas eleições de 2012. "Como líder da Câmara, Boehner será responsável por definir muitas das questões que serão debatidas durante a campanha para presidente no ano que vem."

Para o analista político John Pitney Jr., da Faculdade Claremont McKenna, o presidente da Câmara deve desempenhar um papel de estrategista durante a corrida presidencial de 2012. "Ao assinar leis que possam vir a ser rejeitadas no Senado ou vetadas pelo presidente, ele pode dar argumento para o candidato republicano retratar os democratas como obstrucionistas", ressaltou Pitney.

Movimento conservador. De acordo com especialistas políticos americanos, mesmo tendo uma forte ligação com os valores conservadores do Partido Republicano, Boehner pode trabalhar para controlar a ala mais radical da legenda.

"A resposta imediata dele ao ataque a tiros em Tucson, no Arizona, foi perfeita", disse o analista político Thomas Mann, da Brookings Institution, em referência à ação de um atirador, na semana passada, que deixou 6 mortos e 14 feridos - entre eles, a deputada democrata Gabrielle Gifford.

"Esse incidente horrível pode dar a ele um certo tipo de "poder" para tentar controlar os instintos mais radicais de alguns de seus colegas republicanos no restante do país."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.