Líder russo usa caso contra crise interna

ANÁLISE: Der Spiegel

O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2013 | 02h04

Para o Kremlin, cujas políticas doméstica e externa vêm sofrendo ataques desde que Vladimir Putin começou seu terceiro mandato como presidente, em maio de 2012, a presença de Edward Snowden em Moscou é uma dádiva. Putin explora a tempestade colhida pelo especialista para desviar a atenção de seus próprios problemas, como a estagnação da economia e a linha dura que ele adota contra a oposição. Mais tumultos devem ocorrer nesta semana, quando se espera um veredicto no julgamento por fraude de Alexei Navalny, um popular blogueiro anticorrupção e figura de destaque na oposição. Os procuradores pedem 6 anos de prisão, no que é visto como um caso politicamente motivado.

A Rússia ataca os modos como os americanos tratam seus oponentes - primeiro, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange; depois, o soldado Bradley Manning, fonte de informações do WikiLeaks, preso há três anos; agora, Snowden. A mensagem é a seguinte: comparado ao que nossas contrapartes americanas estão fazendo, somos meninos de coro. A maioria dos russos, de fato, vê as coisas assim e, ao menos por enquanto, o caso Snowden aproximou um pouco sua sociedade profundamente dividida. Sejam conservadores ou liberais, contra ou a favor dos EUA, apoiadores ou adversários de Putin, todos, em geral, apoiam a concessão de asilo a Snowden.

O tabloide russo Komsomolskaya Pravda chegou a reproduzir uma canção elogiosa: "Putin é o herói de nosso tempo. O mundo ama essa Rússia, que é capaz de suportar qualquer pressão". O jogo do Kremlin é arriscado. Putin tenta convencer o povo de que a Rússia ainda é uma superpotência em igualdade de condições com os EUA. Ao mesmo tempo, tem de se preocupar com uma deterioração nas relações bilaterais. Os presidentes dos dois países devem se reunir em Moscou em setembro. Embora Putin considere Barack Obama fraco, ele não quer que a reunião seja cancelada em razão de Snowden. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.