Líder saudita leva a Bush críticas à atitude dos EUA no Oriente Médio

O príncipe herdeiro saudita Abdullah está levando ao presidente George W. Bush fortes críticas árabes ao comportamento dos Estados Unidos no processo de paz no Oriente Médio. Provavelmente, ele também vai ouvir algumas reclamações sobre recentes condutas sauditas. O encontro dos dois, previsto para amanhã no rancho do presidente no Texas, ocorre num momento turbulento da amizade de 70 anos entre os Estados Unidos e o reino desértico rico em petróleo. Osama bin Laden e 15 dos 19 supostos seqüestradores de 11 de setembro têm raízes sauditas. A indiferência inicial do reino à guerra contra o terrorismo liderada por Washington e seu apoio financeiro a militantes islâmicos azedaram de certa forma as relações. No momento em que uma revolta antiamericama incendeia o mundo árabe, o encontro de amanhã está sendo atentamente observado em busca de sinais sobre o que virá a seguir para o emperrado processo de paz. "Estamos analisando todas as opções para ajudar a alcançar esta visão", disse Bush antes de seu primeiro encontro com Abdullah, que tem sido o governante de fato desde que seu meio-irmão, o rei Fahd, sofreu um derrame cerebral em 1995. No topo da agenda: a iniciativa de troca de terra por paz de Abdullah, endossado pela maioria das nações árabes. Ele oferece paz e pleno reconhecimento de Israel em troca dos territórios ocupados pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias, travada em 1967. O plano de Abdullah também contempla a criação de um Estado palestino. Bush já expressou apoio à idéia. Mas o líder saudita deve pressioná-lo para convencer o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, a aceitá-la. Também será considerada uma conferência internacional de paz para o Oriente Médio. Bush, até agora, não tem demonstrado muito entusiasmo. Antes de viajar para o rancho de Bush, nas proximidades de Crawford, o príncipe herdeiro terá um jantar hoje à noite com o vice-presidente Dick Cheney em Houston. A porta-voz de Cheney, Jennifer Millerwise, disse estar planejada uma "sessão ampliada", com a presença de várias outras autoridades da administração. Com uma reputação de ser direto, Abdullah deve exortar Bush a pressionar Israel a retirar suas tropas da Cisjordânia e libertar o líder palestino Yasser Arafat de uma virtual prisão domiciliar. O pedido de Israel de atraso na chegada de uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) que irá investigar o devastado campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, inflamou ainda mais o ressentimento árabe. "A situação está bastante indefinida", opinou Michael O´Hanlon, um analista de política externa do Instituto de Brookings. "O governo Bush ainda não apareceu com propostas significativas." Assessores da Casa Branca disseram que Bush espera conversar não apenas sobre a crise israelense-palestina e a próxima fase na guerra contra o terrorismo, inclusive o que fazer em relação ao Iraque, mas também questões econômicas e comerciais mais amplas. Bush também quer discutir como dar seguimento à proposta de paz do príncipe para o Oriente Médio, disse uma autoridade. Outro ponto que certamente também virá à tona: o recente patrocínio saudita a um programa de arrecadação pela televisão para ajudar os parentes dos "mártires" palestinos. O secretário de Estado Colin Powell afirmou hoje numa comissão do Senado que existem indícios de que parte dos US$ 100 milhões arrecadados foram destinados a integrantes do braço armado da organização islâmica Hamas. "Existem aspectos perturbantes sobre como o dinheiro arrecadado foi distribuído", disse Powell. Ele adiantou que tratará da questão nos encontros no Texas. Autoridades sauditas têm criticado Bush por não conter Israel e por qualificar Sharon como um "homem da paz".

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