Enrique Marcarian/Reuters
Enrique Marcarian/Reuters

Líder sindical rompe com Cristina Kirchner e pede votos para oposição

Hugo Moyano acusa presidente argentina de desprezar trabalhadores

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

12 de julho de 2012 | 19h51

BUENOS AIRES - O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, convocou nesta quinta-feira, 12, os sindicalistas a votarem contra o governo da presidente Cristina Kirchner nas eleições parlamentares do ano que vem.

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Moyano, que foi o principal aliado do governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) e da líder atual na área sindical, consolidou o rompimento iniciado recentemente com o governo ao afirmar que "não podemos votar mais em quem continua nos prejudicando e em quem nos despreza".

Ele disse ainda que "temos que repensar nosso voto caso o governo não nos dê as respostas que queremos". Moyano disse que, sem o respaldo dos trabalhadores, a presidente não conseguirá "manter os 54% dos votos que teve nas eleições de 2011".

Moyano foi reeleito secretário-geral da CGT, a maior central sindical do país. No entanto, a reeleição não é reconhecida pelo governo Kirchner. No início da semana, o ministro do Trabalho, Carlos Tomada, afirmou que a eleição era "irregular". Segundo Tomada, o governo somente reconhecerá as eleições do dia 3 de outubro, convocadas por uma dissidência da CGT. A facção, comandada pelo metalúrgico Antonio Caló, tem apoio da presidente.

Peronista

"Espero que este governo que se diz 'nacional e popular' perceba que governo algum que se acredite peronista pode atacar os operários", disparou Moyano, que também atacou a presidente pela escalada da inflação e o aumento da criminalidade. "O governo não pode ignorar as reclamações legítimas dos trabalhadores. O governo fez o possível e o impossível para impedir este congresso. Eles não querem os trabalhadores organizados. E eles me odeiam porque estou do lado dos trabalhadores".

Moyano é famoso pela truculência e por ter conseguido mobilizar rapidamente dezenas de milhares de caminhoneiros em poucas horas para bloquear estradas e avenidas, em diversas ocasiões. Durante anos foi considerado a "patrulha de choque" do casal Kirchner. Ele disse recentemente que espera ser um "Lula argentino". Para Moyano, a presidente "perdeu os ideais do peronismo".

Em 2010, durante um comício ao lado do casal Kirchner, Moyano disse: "Já está na hora de um trabalhador virar presidente da Argentina". A relação dele com os Kirchner já começava a ficar tensa. Cristina tomou o microfone minutos depois e disparou: "Eu sempre fui uma trabalhadora, desde jovem!". 

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