Líder socialista francês desiste de candidatura e favorece esposa

No casal mais proeminente da política francesa, quem dá a palavra final é a "mamãe". Ao menos é o que o "papai", o socialista François Holland, indicou neste sábado, ao abdicar de sua candidatura em favor das ambições presidenciais de sua mulher, Ségolène Royal.Pai dos quatro filhos de Ségolène, Holland disse neste sábado que não vai concorrer às prévias do Partido Socialista francês, que decidirá quem será o candidato do PS para a sucessão de Jacques Chirac em 2007. Ainda assim, Holland afirmou que terá um papel ativo na candidatura socialista.Em entrevista ao jornal Le Dauphine Libere, Holland afirmou que a decisão vai ser formalizada na terça-feira, último dia para os membros do PS protocolarem suas intenções de candidatura nas primárias marcadas para 16 de novembro."Eu não vou ser outro candidato, porque eu vou servir ao meu partido, e não o contrário", afirmou Holland. "Eu gostaria que tivessem poucos candidatos e que houvesse um acordo geral."Holland não deu seu apoio explícito à campanha de Ségolène, e não mencionou o nome da esposa na entrevista ao Dauphine Libere. Como líder do partido, ele preferiu manter uma postura neutra até que o PS escolha seu candidato. Ainda assim, sem sua presença nas prévias, a corrida para os rivais do casal torna-se mais difícil.O líder insistiu que vai permanecer como um "ator" durante a campanha, tentando evitar que o fracasso das eleições de 2002 se repita com o Partido Socialista. As divisões dentro da esquerda francesa durante aquele pleito favoreceram a vitória de Jean-Marie Le Pen, líder da direita.Cenário favorávelMais do que uma decisão de caráter "familiar", a desistência de Holland leva em conta o cenário eleitoral que começa a ser traçado. Há um ano, Holland era o nome mais forte do Partido Socialista para a sucessão de Chirac. Mas a sorte de Ségolène mudou o cenário. Hoje ela lidera as intenções de voto para concorrer à presidência da França pelo PS. Segundo uma pesquisa Ipsos, 56% dos eleitores do partido apóiam sua candidatura, enquanto Holland aparece com míseros 3%. Mas nada garante que Ségolène terá pela frente um céu de brigadeiro. A deputada e ex-ministra de governo enfrenta uma forte oposição dentro do próprio Partido Socialista, cujos membros da velha guarda a acusam de distanciamento ideológico da linha defendida pela agremiação. Alguns de seus rivais mais experientes destacam que seu estilo glamouroso é vazio em substância.Ainda dentro do PS, o ex-primeiro-ministro francês Lionel Jospin anunciou na última semana que não vai concorrer à presidência em 2007. Ele já foi duas vezes o candidato do partido ao cargo. Já Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro da Economia, anunciou oficialmente na sexta-feira sua candidatura pelo PS.A posição de Laurent Fabius, também ex-premier, é esperada para domingo. Uma segunda votação pode ser marcada caso não haja maioria absoluta dentro do Partido na escolha para a corrida presidencial, no dia 16 de novembro.

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