Líder somali diz estar em guerra com a Etiópia

O líder da União das Cortes Islâmicas, xeque Hassan Dahir Aweys anunciou, durante mais um dia de confrontos na Somália, que seu grupo está em guerra com a Etiópia, e não contra o governo local, sediado em Baidoa. "Todos os somalis devem participar da luta contra a Etiópia", declarou nesta quinta-feira Aweys, apesar de uma promessa anterior de retornar às negociações de paz com o frágil governo interino somali. Nesta quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, houve choques entre as milícias islâmicas e as forças do governo, apoiadas por tropas etíopes. Mais de 100 pessoas já morreram no conflito. A Etiópia nega participação direta no caso, mas admite ter enviado centenas de treinadores militares para ajudar o governo local.Enquanto persistiam os confrontos entre soldados somalis apoiados por forças etíopes e milicianos islâmicos nos arredores de Baidoa, o xeque Hassan Dawir Aweys conclamava todos os somalis a participarem da luta contra a vizinha Etiópia."Todos os somalis deveriam participar da luta contra a Etiópia", disse ele à Associated Press. "Mesmo que não lute, é possível contribuir de outras formas para isso", prosseguiu Aweys por telefone.Os confrontos ameaçam sugar a volátil região para uma guerra de grandes proporções, uma vez que a Etiópia e sua rival Eritréia estão cada vez mais envolvidos no conflito. Os dois países, que possuem um histórico de guerras entre si, apóiam lados opostos na guerra civil somali. Segundo relatórios da ONU, a Etiópia possui cerca de 8 mil homens atuando em favor do governo provisório da Somália, enquanto a Eritréia teria 2 mil homens dando cobertura para as forças islâmicas que controlam a maior parte do país. Em três dias de confrontos entre milicianos islâmicos e as forças do frágil governo provisório apoiadas por soldados etíopes já resultaram na morte de mais de cem pessoas.Só nesta quinta-feira, um fotógrafo da Associated Press disse ter visto corpos de 19 militantes islâmicos em Moode Moode, um cidade a 15 quilômetros de Baidoa, capital provisório do país.Apesar das baixas, um porta-voz das Cortes Islâmicas - que congrega as milícias islâmicas somalis -, o Sheik Ibrahim Abuu-Zeynab, disse que a cidade de Idale, situada a 60 quilômetros a sudoeste de Baidoa, foi capturada.ONU pede calma A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo e pediu calma, alegando que um conflito só pioraria a situação de centenas de milhares de pessoas que passam fome e são vítimas da inundação. A ONU teme que a disseminação do conflito na Somália se amplie para uma guerra regional no extremo leste do continente, na região conhecida como "Chifre da África".Outra preocupação da comunidade internacional são as alegações de que as Cortes Islâmicas teriam ligação com terroristas internacionais, entre os quais a Al-Qaeda. A Somália vive uma situação de virtual anarquia desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o governo local. O resultado da deposição foi a criação de um governo interino respaldado pela ONU, em Baidoa. Apesar da medida, o poder de fato continuou dividido por líderes tribais. Uma unificação parcial só acontece agora, com a tomada de Mogadiscio pelas das Cortes Islâmicas, que querem impor a lei islâmica ao país.

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