Líder sudanês pede visto para ir à ONU

Omar Bashir tem mandado de prisão internacional emitido pelo TPI

O Estado de S.Paulo - The New York Times

19 de setembro de 2013 | 02h12

O ditador sudanês, Omar Bashir, criou um constrangimento para a diplomacia americana ao requerer um visto para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York. Pesa contra ele um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra ocorridos no conflito de Darfur.

Como anfitriões do encontro, os EUA têm a obrigação de emitir vistos para chefes de Estado que participam da reunião anual, independentemente de qualquer disputa que tenham com os países que eles representam. Foi o caso dos líderes Fidel Castro, de Cuba, do soviético Nikita Kruschev e dos presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do Zimbábue, Robert Mugabe, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Nenhum deles, no entanto, tinha um mandado de prisão internacional válido.

Na segunda-feira, a embaixadora americana na ONU, Samantha Power, confirmou o recebimento do pedido de visto e disse que uma visita de Bashir a Nova York seria deplorável, cínica e inapropriada. "Seria mais adequado que ele se apresentasse ao TPI e viajasse para Haia", afirmou. Em resposta, o governo sudanês disse que os EUA "já não podem dar lições de moral a ninguém". No total, Bashir responde a dez processos de crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio.

Entidades de defesa dos direitos humanos fizeram coro à posição da americana. "A aparição de Bashir é um desafio descarado aos esforços do Conselho de Segurança para promover justiça em Darfur", disse a diretora da Human Rights Watch, Elise Keppler.

Em março de 2009, o TPI ordenou a prisão de Bashir. Ele foi indiciado por ter desempenhado papel na morte, estupro, tortura, saques e deslocamento de civis. A crise em Darfur, quando rebeldes pegaram em armas contra o governo do Sudão, durou quase uma década. Ao menos 200 mil pessoas morreram e 2 milhões de habitantes foram afetados.

Em 2010, o TPI emitiu um segundo mandado de prisão, desta vez por genocídio. Apesar de eventualmente deixar o Sudão em viagens a países não signatários do TPI, Bashir evita viagens arriscadas. Em julho, ele fez uma breve aparição em uma cúpula da União Africana na Nigéria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.