Líder sul-coreano propõe taxa de reunificação

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, propôs ontem a cobrança de uma taxa para financiar o imenso custo da eventual reunificação da Península Coreana, que poderia chegar a US$ 1,3 trilhão, valor que supera o PIB do país, de US$ 830 bilhões.

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2010 | 00h00

A taxa integra uma proposta de três etapas apresentada por Lee em discurso de comemoração do 65.º aniversário do fim dos 35 anos de colonização da Península Coreana pelo Japão, também celebrado na Coreia do Norte.

"As relações intercoreanas precisam de um novo paradigma", afirmou o presidente. "É imperativo que os dois lados escolham a coexistência em vez da confrontação, o progresso em vez da estagnação. Os dois lados precisam superar o estado atual de divisão e avançar no objetivo de reunificação pacífica."

O discurso representa uma mudança em relação à posição anterior de Lee, um conservador crítico das políticas de aproximação com o Norte promovida por seus antecessores. Desde que assumiu, em fevereiro de 2008, Lee reduziu a cooperação econômica com o Norte e deu ênfase às gestões para impedir o avanço do programa nuclear do vizinho.

As declarações também contrastam com o tom belicoso que marca o relacionamento bilateral desde maio, quando Seul acusou Pyongyang de ter afundado em março o navio de guerra Cheonan, provocando a morte de 46 marinheiros sul-coreanos.

O governo da Coreia do Norte negou a acusação e declarou que o país estava pronto para ir à guerra caso fosse alvo de punições.

As três etapas. Segundo o presidente, o abandono do programa nuclear pelo Norte é uma precondição para a primeira etapa de sua proposta, que prevê a criação de uma "comunidade de paz" na região. O segundo passo seria intensificar a cooperação entre os dois países, para desenvolver a economia da Coreia do Norte. A terceira e última etapa implicaria o fim das diferenças de sistemas político e econômico entre os dois lados da península e a adoção de um modelo pelo qual "a liberdade e os direitos básicos de todos os coreanos sejam garantidos".

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