Líder sul-coreano sugere diálogo sobre questão nuclear

Dias antes de seu encontro com o presidente americano George W. Bush, o presidente da Coréia do Sul, Kim Dae-jung, afirmou que a melhor forma de resolver a questão do programa nuclear da Coréia do Norte é através do diálogo, e advertiu que uma ação militar ou sanções podem ser contraproducentes."Todos sabemos como a guerra é horrível, e ninguém a quer", explicou Kim, numa reunião com líderes políticos sul-coreanos. "Sanções econômicas livrariam a Coréia do Norte de obrigações internacionais e a ajudariam a fazer armas nucleares".Depois de uma maratona de conversações que terminou na manhã de hoje na capital norte-coreana, Pyongyang, delegados das duas Coréias divulgaram um comunicado no qual o governo comunista do Norte concorda em resolver preocupações em relação a seu programa nuclear através do diálogo."A fim de garantir a paz e a estabilidade na Península Coreana, o Sul e o Norte vão cooperar ativamente na resolução de todas as questões, incluindo a nuclear, por intermédio do diálogo", afirma o comunicado conjunto.Mas o acordo não deve impressionar os Estados Unidos, que exigem que o regime comunista desmantele imediatamente seu programa de armas nucleares.A Coréia do Norte havia prometido não desenvolver armas nucleares num tratado de 1994 com Washington - e o renegou. Os EUA não estão dispostos a entrar em novas negociações que produzam um novo tratado por escrito, mesmo que Pyongyang o peça.O presidente sul-coreano deve se reunir com Bush e o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, nos bastidores de uma cúpula dos países asiáticos e da Bacia do Pacífico no México, no fim de semana.A Coréia do Norte deve dominar a agenda da reunião entre os três líderes. Os três países aliados já anunciaram que querem resolver a questão nuclear de Pyongyang pelo diálogo, mas não concordaram ainda em como promovê-lo.Bush disse na terça-feira acreditar que a pressão internacional pode forçar a Coréia do Norte a abandonar suas ambições nucleares. Ele pediu a cooperação de aliados, Rússia e potências regionais asiáticas.A Coréia do Norte admitiu ter uma instalação de enriquecimento de urânio para produzir armas nucleares durante conversações com o subsecretário de Estado americano James Kelly, no começo de outubro.Autoridades norte-coreanas disseram a Kelly que consideravam inválido o acordo de 1994, já que a construção de dois reatores nucleares previstos no acordo está atrasada em anos e não deve ser concluída em 2003, como planejado.Os EUA alegaram que 2003 era apenas uma data-alvo, não obrigatória.A Coréia do Norte mantém que só resolverá a questão nuclear se Washington parar com sua "política hostil" em relação ao país.

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