Líder sunita pede renúncia do presidente do Parlamento iraquiano

O líder do principal bloco político sunita no Parlamento iraquiano pediu nesta terça-feira a renúncia do presidente da legislatura para ajudar a manter a estabilidade do governo de união em meio à pressão dos partidos xiitas e curdos para que Mahmoud al-Mashhadani seja removido do posto.Adnan al-Dulaimi, líder da Frente Iraquiana de Acordo, disse não ter conversado com Mashhadani nos últimos dias e não sabe se ele realmente pretende renunciar. Mashhadani, parlamentar pela Frente Iraquiana de Acordo, foi citado na edição de hoje do jornal americano New York Times dizendo que considera a possibilidade de renunciar à presidência do Parlamento.A Frente Iraquiana de Acordo é o principal bloco político sunita no Parlamento do Iraque. Pela divisão de poderes prevista pela Constituição iraquiana, a chefia de governo cabe a um xiita, o presidente do país deve ser curdo e a presidência do Parlamento precisa ser ocupada por um sunita."Se Mashhadani estiver pronto para renunciar, será uma boa atitude que em muito contribuirá para evitar uma crise no país", declarou Dulaimi. "Ele não conversou conosco sobre isso e é claro que aceitaremos a opinião da maioria."A Frente Iraquiana de Acordo ocupa 44 das 275 cadeiras do Parlamento e está sob pressão dos partidos xiitas e curdos para retirar Mashhadani do posto de presidente da casa por causa de sua declarações destemperadas sobre a insurgência sunita e autonomia regional."O Parlamento e as alianças majoritárias têm o direito de solicitar mudanças", disse o político curdo Mahmoud Othman. "A Frente de Acordo deveria nomear outra pessoa" para o posto, prosseguiu.Mashhadani, atualmente em visita oficial à Jordânia, disse nesta terça-feira a jornalistas que "o Iraque deve retornar à arena árabe, para o lado de seus vizinhos árabes, e deve começar a construir as pontes para a paz da qual o povo iraquiano tem sido privado".Desde maio, quando assumiu a presidência do Parlamento, Mashhadani tem se pronunciado contra a autonomia regional, apoiada por xiitas e curdos, mas rejeitada pelos árabes sunitas.Ele também comentou no mês passado que, se o governo se recusasse a anistiar insurgentes sunitas que mataram americanos, "seria preciso punir os soldados americanos que mataram iraquianos resistindo à ocupação".Ainda de acordo com ele, "uma pessoa que eventualmente mate um americano na defesa do Iraque ou de qualquer outro país deveria ser homenageada com uma estátua".Mashhadani também envolveu-se em controvérsia recentemente ao sugerir que judeus estariam financiando atos de violência no Iraque com o objetivo de colocar em descrédito os partidos religiosos islâmicos que controlam o Parlamento e o governo do Iraque.

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