Iran's Supreme Leader's Office via The New York Times
Iran's Supreme Leader's Office via The New York Times

Líder supremo acusa inimigos do Irã de fomentarem distúrbios no país

Em declaração transmitida pela emissora estatal do país, Ali Khamenei disse que inimigos do país se uniram e 'estão usando de todos seus meios, seu dinheiro, suas armas, suas políticas e seus serviços de segurança para criar problemas para o regime'

O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 21h08

TEERÃ - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rompeu nesta terça-feira, 2, seu silêncio sobre a onda de protestos que já dura seis dias e afirmou que os distúrbios são orquestrados pelos inimigos do país.

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Nove pessoas morreram na madrugada desta terça-feira no centro do país, onde os manifestante tentaram invadir um posto policial. Desde o início das manifestações, na quinta-feira passada, 21 pessoas morreram, incluindo 16 manifestantes, por eventos relacionados a esses protestos, que começaram em Meshad, espalhando-se rapidamente.

A capital Teerã tem sido menos afetada que as pequenas e médias cidades, mas 450 pessoas foram detidas desde sábado, segundo as autoridades locais. As autoridades mobilizaram agentes adicionais para fazer frente aos protestos, que não parecem particularmente estruturados.

Em sua primeira declaração desde o início da crise, Khamenei assegurou, em uma declaração transmitida pela emissora de televisão oficial que, "nos acontecimentos dos últimos dias, os inimigos se uniram e estão usando de todos seus meios, seu dinheiro, suas armas, suas políticas e seus serviços de segurança para criar problemas para o regime islâmico".

"Esperam apenas uma chance para se infiltrar e atacar o povo iraniano", declarou, sem especificar quem são os inimigos. "O que pode impedir o inimigo de agir é o espírito de coragem, de sacrifício e a fé do povo, dos quais vocês são testemunha", acrescentou, dirigindo-se às famílias dos soldados mortos em guerra.

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As autoridades acusam os grupos de oposição "contrarrevolucionários" no exterior - nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, por exemplo - de tentarem se aproveitar da insatisfação da população para criar problemas no país.

O presidente iraniano, Hasan Rohani, pediu ao seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que adote medidas contra um "grupo terrorista" iraniano com base na França que estaria envolvido nos protestos.

Em conversa por telefone com Rohani, o presidente francês se disse "preocupado" com o "número de vítimas nas manifestações" e pediu "prudência e calma" ao governo iraniano.

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Os dois líderes decidiram adiar a visita que o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, faria a Teerã neste final de semana, informou a chancelaria francesa.

EUA

O presidente americano Donald Trump, que fez do Irã um dos seus principais alvos, reagiu várias vezes às manifestações, considerando que mostravam que o "tempo da mudança" chegou no país.

Nesta terça-feira, Trump elogiou os manifestantes iranianos por denunciar o regime brutal e corrupto de Teerã. "O povo do Irã está finalmente agindo contra o brutal e corrupto regime iraniano", tuitou.

Em resposta, um porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghassemi, afirmou que "ao invés de perder seu tempo enviando tuítes inúteis e insultantes contra outros povos, Trump deveria se ocupar dos problemas internos de seu país, principalmente o assassinato diário de dezenas de pessoas e milhões de desabrigados e famintos".

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A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, declarou nesta terça-feira que Washington pedirá uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre os protestos no Irã. "A ONU deve se manifestar nos próximos dias. Convocaremos uma sessão de emergência", disse Haley.

O principal grupo reformista iraniano, presidido pelo ex-presidente Mohammad Khatami, condenou a violência nos protestos e o apoio dos Estados Unidos aos manifestantes, em um comunicado divulgado pela imprensa.

"Sem dúvida, o povo iraniano enfrenta dificuldades em suas vidas diárias, mas os acontecimentos dos últimos dias mostram que oportunistas e perturbadores exploram as manifestações para criar problemas", afirma a declaração da Associação de Combatentes Religiosos. "Os inimigos do Irã, liderados pelos Estados Unidos e seus agentes, encorajam as ações violentas." / AFP

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