Gabinete do Líder Supremo do Irã / AP
Gabinete do Líder Supremo do Irã / AP

Líder supremo do Irã descarta negociação com EUA

Decisão surge após Donald Trump se dizer disposto a ter uma reunião com Hassan Rouhani e ameaçar Teerã; após disparada na segunda, preços do petróleo registram leve queda

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 04h12
Atualizado 17 de setembro de 2019 | 11h34

TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, descartou nesta qualquer possibilidade de negociação com o governo dos Estados Unidos, no momento em que o presidente americano afirma estar disposto a ter uma reunião com seu colega iraniano, mas ameaça Teerã.

"É uma opinião de todas as autoridades da República Islâmica de Irã: não haverá nenhuma negociação com os EUA, de nenhum nível", disse Khamenei, de acordo com seu site oficial.

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Em sua conta no Twitter, o aiatolá enumerou razões para não aceitar as negociações com Washington. "Negociar com os EUA significa imposições das demandas deles sobre o Irã", afirmou. "Negociar significa mostrar o sucesso da política americana de 'pressão máxima'", acrescentou.

"É por isso que o respeitoso presidente, ministro das Relações Exteriores e outros unanimemente declaramos que não negociaremos com os EUA, bilateralmente ou multilateralmente", escreveu Khamenei.

Trump e Rouhani

A Casa Branca afirmou no domingo que o presidente Donald Trump não descartava a possibilidade de uma reunião com o colega iraniano, Hassan Rouhani, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York na próxima semana.

O presidente iraniano e outras autoridades da República Islâmica repetiram diversas vezes que um encontro entre os governantes é impossível enquanto Washington prosseguir com as sanções econômicas restabelecidas contra Teerã em 2018.

Na segunda-feira, Washington indicou que preparava uma resposta após os ataques contra as instalações petrolíferas na Arábia Saudita, ações reivindicadas pelos rebeldes houthis do Iêmen, que têm apoio do Irã.

Após disparada, preços do petróleo caem

Os preços do petróleo registravam leve queda nesta terça, após a disparada na véspera em consequência dos ataques contra instalações sauditas que provocaram o temor de escassez e de uma escalada militar com o Irã.

Nesta madrugada, após o fechamento da Bolsa de Tóquio, a cotação do barril de Brent do Mar do Norte perdia 0,38%, a US$ 68,76, enquanto o preço do barril de petróleo americano WTI retrocedia 0,84%, a US$ 62,37. Já no meio da manhã, o Brent perdeu 5,35% para US$ 65,35 em Londres, e o WTI caiu 4,36%, a US$ 60,16 em Nova York.

Na segunda-feira, a cotação do Brent, referência no mercado mundial, disparou 14,6%, o aumento mais expressivo desde a criação deste tipo de contrato, em 1988. O barril de WTI, referência de petróleo no mercado de Nova York, subiu 14,7%, maior aumento em uma sessão desde dezembro de 2008.

Os ataques com drones no sábado contra duas instalações na Arábia Saudita provocaram a queda à metade da produção de petróleo do país.

Além do aumento dos preços, os ataques provocaram o temor de uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã, acusado por Washington e Riad de responsabilidade pelas ações. / AFP

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