AFP PHOTO / HO / KHAMENEI.IR
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Líder supremo do Irã diz que destruirá acordo nuclear se EUA romperem pacto

Aiatolá Ali Khamenei qualificou as palavras de Donald Trump como ‘injúrias e sandices’, e ressaltou que a Europa deve evitar se intrometer nos ‘assuntos defensivos’ do país

O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 11h04

TEERÃ - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse nesta quarta-feira, 18, que o Irã não abandonará o acordo nuclear firmado com potências internacionais, e agradeceu ao apoio dado por seus signatários europeus. Entretanto, advertiu que se os EUA romperem o pacto, “o Irã vai destruí-lo”, referindo-se a uma ameaça feita pelo presidente americano, Donald Trump, de abandonar o tratado, relatou a emissora estatal iraniana.

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"Não romperemos o pacto antes que o faça a outra parte, mas, se romperem o JCPOA (Plano Integral de Ação Conjunta, nome formal do acordo nuclear), nós o destruiremos", declarou o líder supremo em um discurso publicado em seu site oficial.

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Trump ameaçou na sexta-feira 13 abandonar o acordo multilateral se não forem corrigidos os seus "defeitos", por meio de uma negociação internacional ou uma lei do Congresso americano.

O pacto, assinado em julho de 2015 entre o Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), limita o programa atômico de Teerã em troca de uma suspensão das sanções internacionais.

As palavras de Trump foram qualificadas como “injúrias e sandices” por Khamenei. "Não quero perder meu tempo respondendo as injúrias e sandices do bruto do presidente americano", declarou o aiatolá em um discurso dirigido a estudantes em Teerã e publicado em sua conta no Telegram.

"Primeiro, a Europa deve se opor aos movimentos dos EUA e, segundo, deve evitar se intrometer nos nossos assuntos defensivos", afirmou. O líder iraniano salientou que "não é assunto" da Europa ou de outros países a atividade do Irã na região do Oriente Médio ou seus programas de mísseis.

Sobre a influência regional do Irã, Khamenei disse também que os EUA "estão furiosos porque a República Islâmica conseguiu frustrar seus complôs no Iraque, no Líbano e na Síria".

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Ele ainda acusou os EUA de serem "um agente do sionismo internacional e criador do Daesh”, acrônimo em árabe do grupo jihadista Estado Islâmico". Khamenei reagiu desta forma à decisão de Trump de autorizar o Departamento do Tesouro a sancionar a Guarda Revolucionária do Irã por financiar atividades terroristas no exterior.

A Guarda respaldou nos últimos anos com assessores militares os regimes da Síria e do Iraque na sua luta contra o terrorismo, e, além disso, apoiam o grupo xiita libanês Hezbollah. / REUTERS, AFP e EFE

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