Líder supremo do Irã repreende presidente publicamente

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, repreendeu hoje publicamente o presidente Mahmoud Ahmadinejad sobre sua decisão de tirar do posto Mostafa Khaksar Qahroudi, chefe da organização da peregrinação a Meca, órgão chamado de Hajj. A repreensão foi uma rara demonstração de descontentamento de Khamenei com Ahmadinejad. A organização do Hajj é tradicionalmente parte das responsabilidades do líder supremo Khamenei, que tem amplos poderes. Ele desfez a medida do presidente.

AE-AP, Agencia Estado

04 de maio de 2009 | 14h43

A repreensão de Khamenei ocorre em um momento em que os iranianos observam atentamente qualquer sinal de que seu apoio a Ahmadinejad esteja se enfraquecendo, com o presidente enfrentando resistências a um segundo mandato, ao qual concorrerá nas eleições de 12 de junho. O apoio de Khamenei é importante para a vitória de qualquer um dos nomes da disputa. Anteriormente, Khamenei já contrariou Ahmadinejad, para em seguida acabar confirmando seu apoio. Em março, Khamenei afirmou que seu papel é apoiar o presidente em exercício, mas que sua posição não está relacionada às eleições e que ele não diz a ninguém em quem votar.

Ahmadinejad enfrenta um forte desafio nas eleições por parte dos reformistas, que pedem mais liberdade no país e melhores relações com o Ocidente. Ao mesmo tempo, sua popularidade vem diminuindo em sua base conservadora, principalmente por causa dos problemas econômicos. Críticos também acusam Ahmadinejad em razão de sua negação do Holocausto e por sua insistência em um programa nuclear que, segundo o Ocidente, tem o objetivo de produzir armas atômicas.

A disputa que fez com que o líder supremo repreendesse o presidente iraniano começou no mês passado, quando o governo de Ahmadinejad colocou o comitê de peregrinação sob a autoridade turística. Um dos vice-presidentes do país então rejeitou o chefe da organização da peregrinação, Mostafa Khaksar Qahroudi, e o substituiu. A medida motivou um protesto por parte do aiatolá Mohammad Mohammadi Reishahri, representante de assuntos referentes à peregrinação, que chamou a medida do governo de ilegal.

Khamenei então divulgou um comunicado apoiando seu representante e ordenando que Qahroudi voltasse ao cargo. "No que diz respeito à substituição da organização do Hajj, o presidente foi notificado de que a anexação de sua organização ao comitê de turismo não é apropriada. A situação continua como era antes", afirmou o jornal do governo, citando o líder. Talvez o mais humilhante seja o fato de Khamenei ter se dirigido a Reishahri em sua notificação, e não ao presidente. Ahmadinejad assumiu o poder em 2005 com forte apoio dos linhas-duras. Khamenei em nenhum momento deixou seu apoio claro naquela eleição.

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