Líder tailandês deposto vai ao Camboja e causa tensão

O ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, considerado um fugitivo em seu país, chegou hoje ao Camboja. Thaksin foi nomeado conselheiro econômico do governo cambojano, atitude que causou tensões entre os vizinhos. O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, disse que pedirá a extradição do ex-líder. Segundo Abhisit, seu gabinete aprovou o fim das conversas com Camboja sobre divergências de fronteiras marítimas. Thaksin foi condenado à prisão no ano passado em seu país. Deposto em um golpe em 2006, ele é acusado de corrupção e desrespeito à monarquia constitucional do país.

AE-AP, Agencia Estado

10 Novembro 2009 | 13h37

O líder deposto deve dar uma palestra nesta quinta-feira para mais de 300 economistas em Phnom Penh. Um porta-voz do governo cambojano disse que Thaksin chegou a um aeroporto militar da capital em um avião privado. A televisão estatal registrou o fato, mostrando um forte esquema de segurança para proteger Thaksin, inclusive com guarda-costas fornecidos pelo primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen.

A surpreendente nomeação de Thaksin como conselheiro por Hun Sen estremeceu as já não muito boas relações bilaterais. Os dois países tiveram pequenas, porém em alguns momentos mortais, escaramuças sobre fronteiras no ano passado. A Tailândia respondeu à nomeação retirando seu embaixador de Phnom Penh. O Camboja reagiu da mesma maneira, convocando seu principal diplomata no vizinho. Abhisit disse que, caso o Camboja não extradite Thaksin, seu país "estará pronto com a resposta adequada". Ele não deu maiores detalhes sobre qual seria essa resposta.

O vice-ministro do Conselho de Ministros do Camboja, Phay Siphan, revelou que Thaksin e o primeiro-ministro local almoçarão amanhã. Segundo ele, os dois são amigos íntimos e Thaksin deve ficar no país pelo menos dois ou três dias. "Ele veio apenas para dar uma palestra, portanto eu acredito que ele não fará nada relacionado à atividade política aqui", afirmou o funcionário. Thaksin vive exilado, a maior parte do tempo em Dubai, para evitar cumprir uma sentença de dois anos por violar uma lei sobre conflito de interesses. Ele foi primeiro-ministro entre 2001 e 2006.

Disputa

Apesar de já não viver no país, Thaksin é figura central em uma disputa entre seus partidários e os do governo atual. A rivalidade ocorre em meio à indefinição sobre a monarquia, no momento em que o rei Bhumibol Adulyadej, de 81 anos, está com a saúde fragilizada. Ele está no hospital há dois meses, com problemas nos pulmões. Em uma longa entrevista publicada ontem no site do jornal "Times", de Londres, Thaksin analisou as perspectivas para o príncipe Vajiralongkorn se tornar rei. Ele, porém, criticou os assessores do monarca por se envolverem com política.

A discussão aberta sobre a sucessão é um tema delicado na Tailândia, onde leis duras proíbem o insulto ao rei ou à família do monarca. Esses crimes podem resultar em punições de até 15 anos. O ministro das Relações Exteriores da Tailândia, Kasit Piromya, afirmou que a entrevista de Thaksin foi ofensiva à monarquia. Outras autoridades deram declarações similares, questionando os interesses do ex-líder ao tratar do caso.

Desde a queda de Thaksin, partidários dele e também oposicionistas realizaram inúmeras passeatas, em alguns casos acompanhadas de violência. Em uma página que mantém na internet, o líder deposto criticou a edição da entrevista pelo "Times", especialmente o título: "Líder tailandês deposto Thaksin Shinawatra apela por nova era ''brilhante'' após morte de rei."

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