Líder taleban nega envolvimento na morte de Benazir Bhutto

Porta-voz de Baitullah Mehsud, acusado pelo governo de estar por trás do assassinato, desmente informação

Efe

29 de dezembro de 2007 | 06h45

 Um porta-voz do líder taleban paquistanês Baitullah Mehsud, a quem o governo do Paquistão acusou de estar por trás do assassinato da líder opositora Benazir Bhutto, desmentiu neste sábado, 29, o envolvimento no atentado, informou o canal de televisão paquistanês Dawn. Veja também:Paquistão culpa Al-Qaeda por morte de BenazirÍndia reforça vigilância na fronteira Onda de choque causou a morte de BenazirFilha de dinastia, Benazir era figura polêmica Análise: Paquistão em mares desconhecidosImagens Cronologia: A trajetória de Benazir Vídeo e análise com Roberto Godoy Blog do Guterman: Guerra civil à vista    O porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Iqbal Cheema, havia afirmado após o atentado, ocorrido na quinta-feira passada, que o responsável pelo ataque foi Mehsud, um conhecido líder taleban do leste do país a quem as autoridades vinculam à Al-Qaeda. "O líder da Al-Qaeda Baitullah Mehsud está por trás do assassinato", disse o porta-voz. Cheema anunciou que os serviços de inteligência tinham interceptado uma comunicação de Mehsud na qual este felicitava os terroristas responsáveis pelo ataque a Bhutto. No entanto, um porta-voz de Mehsud negou neste sábado a existência dessa felicitação e desmentiu a participação de seu grupo no assassinato. "Não assassinamos mulheres", disse o porta-voz Mohammed Omar, em declarações divulgadas pela Dawn. O governo paquistanês já tinha acusado Mehsud de planejar os atentados em Karachi ocorridos em 18 de outubro, nos quais cerca de 140 pessoas morreram, quando uma multidão estava reunida para saudar a volta de Benazir Bhutto ao país após mais de oito anos de exílio. Mehsud controla áreas da região ocidental do Waziristão do Sul, onde também haveria elementos ativos da Al-Qaeda. Antes da volta de Bhutto ao Paquistão, Mehsud já tinha declarado ironicamente que seus homens dariam as boas-vindas à ex-primeira-ministra, mas semanas depois emitiu um comunicado voltando atrás em suas declarações. Bhutto morreu na última quinta-feira após, segundo o governo paquistanês, bater a cabeça depois de uma queda causada pela força da explosão da carga detonada junto ao carro em que estava. A morte de Bhutto abriu uma crise no Paquistão, onde devem acontecer eleições legislativas em 8 de janeiro. A Comissão Eleitoral anunciou neste sábado a realização de uma reunião de emergência na próxima segunda-feira, a fim de explorar a possibilidade de adiar o pleito, afirmou um porta-voz do órgão à Dawn.

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