Líder terá de passar por teste mais difícil

Esqueçam os cem primeiros dias do mandato do presidente. Desde quando Franklin D. Roosevelt estabeleceu esta marca artificial em 1933, os presidentes recém-eleitos conseguiram maiores realizações em seus segundos cem dias do que nos primeiros. Dwight Eisenhower assinou o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia em 27 de julho de 1953. Ronald Reagan recebeu a aprovação do Congresso para seus históricos cortes dos impostos de 25% em 4 de agosto de 1981. Leva algum tempo para um presidente montar sua equipe, formular políticas, conseguir a aprovação de leis no Congresso e conduzir negociações com outros países. Em 1933, Roosevelt foi o último presidente a tomar posse em 4 de março, e não em 20 de janeiro, ganhando mais seis semanas para se preparar. Obama realizou muitas coisas nos primeiros cem dias. Conseguiu a aprovação do Congresso para seu orçamento e para um programa de estímulo de US$ 787 bilhões, e ainda modificou a política referente à pesquisa de células-tronco, aborto, meio ambiente, direitos trabalhistas e segurança nacional. Obama terá de passar por um teste mais difícil nos segundos cem dias, quando o Congresso analisar as propostas de amplas regulamentações para a área financeira, fixar o sistema de saúde e controlar o aquecimento global, provavelmente o maior desafio da humanidade. Ele enfrentará uma intensa oposição dos grupos de interesses, e não poderá dispor de um apoio unificado dos democratas. Durante os próximos cem dias, Obama não colocará em prática seu programa completo, mas precisará fazer importantes progressos. Em matéria de política externa, terá de mostrar resultados no que se refere ao controle de armas nucleares, negociando com o Irã e ampliando uma guerra duvidosa no Afeganistão, que poderá se tornar seu Vietnã. Veremos em 6 de agosto.*Allan J. Lichtman, é professor de História na American University

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