Toby Melville / Reuters
Toby Melville / Reuters

Líder trabalhista se desculpa por derrota; Johnson quer ajustes no governo para Brexit

Para analistas, reforma ministerial é um prelúdio de uma mudança muito mais significativa que virá depois da saída do Reino Unido da União Europeia

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2019 | 14h59

LONDRES - O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, pediu neste domingo, 15, desculpas pela derrota histórica do partido nas eleições britânicas de quinta-feira, na qual os conservadores liderados pelo primeiro-ministro Boris Johnson alcançaram uma ampla maioria.

"Não vou dar voltas. O resultado das eleições de quinta-feira foi um golpe para todos aqueles que precisam desesperadamente de mudanças reais em nosso país", escreveu Corbyn no jornal Sunday Mirror.

"Queria unir o país que amo, mas lamento que tenhamos ficado aquém e assumo minha responsabilidade", acrescentou.

Caminho livre para o Brexit

As eleições deram uma grande vitória a Johnson, que agora tem um caminho livre para aplicar o Brexit no dia 31 de janeiro.

Para Entender

Boris Johnson, o político que apostou no Brexit e ganhou

Embora seja um dos políticos mais populares, ele atrai fortes críticas por uma retórica populista que lhe rendeu uma comparação com Trump e uma falta de rigor que muitos denunciam como mentiras

Boris Johnson tem a maioria entre os 650 deputados que integram a Câmara dos Comuns, com 80 deputados a mais que a oposição, o melhor resultado para o partido desde Margaret Thatcher nos anos 1980.

Após a derrota, Corbyn anunciou na sexta-feira que se afastará até que o partido complete sua "reflexão" sobre seus erros.

Premiê quer ajustes no governo

Boris Johnson discutiu neste domingo uma pequena reforma ministerial para concretizar a saída do país da União Europeia (UE) no dia 31 de janeiro e manter o apoio de eleitores tradicionalmente trabalhistas que votaram nos conservadores nas últimas eleições.

Para Entender

O que esperar de um governo de maioria conservadora

Conheça algumas das mudanças esperadas de um governo de maioria conservadora

As mudanças devem afetar as secretarias de Cultura, Meio Ambiente e para o País de Gales. Nick Morgan e Alun Cairns, responsáveis pelas duas primeiras pastas até então, decidiram deixar o governo. Já Zac Goldsmith, que geria as políticas para os galeses, não foi reeleito na Câmara.

Analistas afirmam que a reforma é um prelúdio de uma mudança muito mais significativa que virá depois do Brexit. Johnson deve trocar parte dos atuais ministros, com perfis mais midiáticos, por outros com mais experiência para promover a transformação desejada por ele.

Reforma radical

Segundo o jornal The Sunday Telegraph, o polêmico assessor de Johnson, Dominic Cummings, prepara uma reforma radical do sistema de contratação dos funcionários públicos. A ideia é garantir que eles cumpram os planos do governo após a saída da UE.

Johnson deve, inclusive, reformular toda a administração do governo britânico, cortando alguns ministérios e criando outros. O premiê também quer contratar especialistas externos de sua confiança.

As férias natalinas devem ser usadas pelo governo para determinar quais serão essas mudanças e definir as estratégias que permitam um maior investimento no sistema nacional de saúde e educação, uma das principais promessas de Johnson na campanha eleitoral.

Outra prioridade é criar um programa para incentivar a economia de algumas regiões desprestigiadas do país. Johnson adaptou seu discurso para atrair a classe trabalhadora do norte da Inglaterra e de Gales, área que até então era um reduto trabalhista. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.