REUTERS/Toby Melville
REUTERS/Toby Melville

Líder trabalhista critica premiê britânica por possível adiamento de votação do Brexit

Jeremy Corbin diz que governo de Theresa May 'tomou o caminho desesperado de adiar a votação (no Parlamento)' do que disse ser um desastroso acordo negociado por Londres e Bruxelas; chefe de governo discursará na tarde desta segunda sobre a situação

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 11h52

LONDRES - O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, disse ser "desesperada" a suposta decisão da primeira-ministra Theresa May de adiar a votação do acordo do Brexit no Parlamento.

A imprensa britânica noticiou nesta segunda-feira, 10, que May decidiu postergar a votação na Câmara dos Comuns, prevista para a terça-feira, para tentar angariar a quantidade mínima de votos para aprovar o texto.

Ao tomar conhecimento da notícia, Corbyn afirmou que "o governo decidiu que o acordo de May é tão desastroso que tomou o caminho desesperado de adiar a votação no último momento".

"Passamos duas semanas sabendo que o pacto de May seria rechaçado no Parlamento porque é prejudicial para o Reino UnidO", escreveu o líder trabalhista em sua conta no Twitter.

Corbyn criticou a decisão da premiê de seguir a diante com a votação já que, na sua opinião, ela "teria que voltar a Bruxelas para renegociar (os termos do Brexit) ou convocar eleições para que a população pudesse escolher alguém para fazer isso".

"Não temos um governo que funcione", criticou o opositor. "Enquanto May continua a estragar o Brexit, os serviços públicos estão em um momento crítico e as comunidades sofrem com a falta de investimento."

A chefe do governo britânico deve fazer uma declaração sobre a saída do Reino Unido da União Europeia às 15h30 (13h30 em Brasília), quando deveria começar a quarta jornada das discussões sobre o acordo do Brexit no Parlamento.

Passo atrás

Segundo a BBC, dois integrantes do gabinete de May indicaram na manhã desta segunda que a votação decisiva será adiada. 

Deputados conservadores eurocéticos e da oposição já tinham antecipado que votariam contra o acordo, que foi negociado durante mais de 15 meses entre Londres e Bruxelas.

No fim de semana, a primeira-ministra conversou sobre o assunto por telefone com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk; com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, e com o holandês, Mark Rutte.

O acordo do Brexit suscitou ampla rejeição entre os parlamentares por causa da polêmica "garantia", que ficou conhecida como mecanismo de 'backstop', pensada para evitar uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

Essa "garantia" prevê que o país permaneça na união aduaneira e que a Irlanda do Norte também esteja alinhada com certas normas do mercado único, até que se estabeleça uma nova relação comercial entre Londres e Bruxelas, negociada no período de transição, entre 29 de março de 2019 e o fim de 2020. / EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.