REUTERS/Andrew Yates
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Líder trabalhista pede renúncia de May por cortes no número de policiais

Quando foi ministra do Interior, entre 2010 e 2016, a premiê autorizou a redução em cerca de 20 mil funcionários no departamento; ela retomou nesta segunda-feira a campanha eleitoral

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 11h39

LONDRES - O líder do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, pediu que à primeira-ministra britânica, Theresa May, do Partido Conservador, que renuncie por ter autorizado cortes no número de policiais durante seus seis anos como ministra do Interior.

O país votará em uma eleição nacional na quinta-feira, apenas alguns dias depois de terroristas matarem 7 pessoas e deixarem 48 feridos em Londres na noite de sábado, no terceiro ataque ao Reino Unido em menos de três meses.

May foi questionada por repórteres se ela se arrependia de ter cortado o número de policiais em aproximadamente 20 mil durante sua passagem como ministra do Interior entre 2010 e 2016. Ela havia dito anteriormente que os orçamentos de combate ao terrorismo tinham sido protegidos e a polícia tinha recebido os poderes que precisava.

Perguntado se apoiaria os pedidos pela renúncia de May, Corbyn disse à emissora Sky News: "De fato eu apoiaria. Porque houve pedidos feitos por diversas pessoas muito responsáveis, que estão muito preocupadas porque ela esteve no governo durante todo esse tempo, que ela presidiu os cortes no número de policiais e que agora está dizendo que nós temos um problema". "Sim, nós temos um problema, nós nunca deveríamos ter cortado o número de policiais”, ressaltou ele.

Campanha

Theresa May retomou nesta segunda-feira, 5, a campanha eleitoral, apenas três dias antes de uma eleição nacional que as pesquisas mostram ter se tornado muito mais acirrada do que o previsto anteriormente.

May disse que o Reino Unido precisa ser mais forte no combate aos extremistas islâmicos depois que três homens portando facas atropelaram pedestres com um veículo na London Bridge e esfaquearam outras pessoas nos arredores.

A premiê disse que a eleição de quinta-feira está mantida e que o Reino Unido tem sido tolerante demais com o extremismo. "A violência nunca pode ser autorizada a prejudicar o processo democrático", disse ela, que foi ministra do Interior de 2010 a 2016.

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que tem perdido território na Síria e no Iraque em razão de uma ofensiva militar liderada pelos EUA, disse que seus combatentes foram responsáveis pelo ataque, mas ainda não está claro qual tipo de ligação os agressores teriam com o grupo.

A questão da segurança se tornou um dos temas principais da campanha após os ataques na London Bridge e na cidade de Manchester. A campanha foi suspensa por vários dias em maio depois que um suicida detonou uma bomba que matou 22 pessoas em um show da cantora pop americana Ariana Grande em Manchester.

Segurança

O governo britânico e as autoridades locais estão trabalhando de perto com a polícia para garantir a segurança nas eleições, e planos robustos foram montados há semanas para o pleito, disse a porta-voz de May.

"Temos planos prontos para a eleição. A polícia tem trabalhado de perto com as autoridades locais há várias semanas sobre isso. Esses planos foram desenvolvidos com o nível de ameaça em 'severo', então são bastante robustos", disse a porta-voz a repórteres. "A polícia revê a segurança para todos os eventos, mas nós temos trabalhado muito de perto com eles e com as autoridades locais há algum tempo", acrescentou. / REUTERS

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