Líder tribal encomendou morte de Bhutto, conclui investigação

Mehsud é considerado pelo Paquistão ligado à Al Qaeda; conclusão acontece na véspera da eleição

EFE

17 de fevereiro de 2008 | 18h23

O líder tribal paquistanês Baitullah Mehsud encomendou o assassinato da dirigente opositora e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e forneceu os 4.500 euros necessários para realizar o plano, executado por cinco terroristas, informou neste domingo, 17, a polícia ao concluir a investigação do atentado.  Veja também: Filha de dinastia, Benazir era figura polêmica Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Oposição alerta Musharraf de que protestará em caso de fraude Clima no Paquistão é de tensão na véspera da eleição geral  De acordo com Majeed, citado pela agência estatal "APP", o plano que culminou no assassinato da ex-primeira-ministra foi encomendado por Mehsud - um talebã paquistanês que o Governo vincula à Al Qaeda - a Qari Ismail, doutrinado em uma madraçal (escola corânica) de Aakora Khatak.  Segundo a fonte policial, Mehsud decidiu eliminar Bhutto por sua anunciada intenção de combater os talebãs e jihadistas no Paquistão se ganhasse as eleições, além do fato de o Islã "não reconhecer o comando das mulheres".  Na véspera das eleições gerais no Paquistão, o chefe da investigação, Abdul Majeed, disse em entrevista coletiva que houve várias tentativas de atentar contra Bhutto até a que acabou com sua vida, em 27 de dezembro, em Rawalpindi.    Plano Mehsud entregou a Ismail 400 mil rúpias (4.500 euros) para executar o plano, que este encarregou a dois terroristas preparados para uma ação suicida, aos quais entregou os coletes com explosivos, e a outros três que ajudaram nos preparativos do atentado. Trata-se de Saeed, conhecido como Bilal, o suicida que matou Bhutto, e Ikramullah, que estava em outra posição no local onde Bhutto fazia um comício no dia do atentado e que fugiu da cidade na manhã seguinte. Os primos Rafaqat e Hasnain Gül, detidos no dia 7, hospedaram os dois terroristas em sua casa de Rawalpindi e os levaram ao parque no dia do atentado.  Majeed afirmou que os cinco detidos confessaram sua participação no atentado. Junto aos primos Gül, os outros detidos são Aitezaz Shah, um adolescente de 15 anos, Sher Zaman e Abdul Rashid. Segundo Majeed, a confissão de Aitezaz deu pistas essenciais para continuar a investigação. O adolescente disse que foi treinado como jihadista em uma madraçal de Karachi (sul) e recebeu a tarefa de assassinar Bhutto, mas terminou encomendando a Qari Ismail após fracassar em outras tentativas. Após a morte de Bhutto, o Governo revelou a existência de uma suposta conversa telefônica entre Baitullah Mehsud e um líder talebã na qual se mencionavam os nomes de Ikramullah e Bilal como os autores do ataque. O assassinato da líder do opositor Partido Popular do Paquistão levou o Governo a adiar até esta segunda o pleito previsto para 8 de janeiro.

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