Líder venezuelano lamenta decisão e diz que ainda espera prova de vida de reféns

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, lamentou ontem a decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, de encerrar a mediação chavista entre Bogotá e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Por uma razão que, para mim, não parece razão, sem um telefonema nem sequer para perguntar por isto ou aquilo, no fim da noite, à meia-noite, o presidente Uribe decidiu suspender o trabalho que eu estava fazendo", disse Chávez durante um comício em Caracas. "Bom, eu lamento", acrescentou, assinalando que espera falar com Uribe para esclarecer as causas dessa "medida unilateral" . Apesar de ter sido retirado do papel de mediador, Chávez ressaltou que o processo de diálogo "ganhou uma dinâmica que não se pode parar" e disse que "continua esperando" que o líder máximo das Farc, conhecido como Manuel Marulanda, lhe envie provas de vida dos reféns.Horas antes, num comunicado emitido pelo Ministério do Poder Popular para a Comunicação e a Informação (Minci), o governo venezuelano afirmou estar "surpreso" com a decisão de Uribe e agradeceu "infinitamente" o trabalho da senadora colombiana Piedad Córdoba - que, ao lado de Chávez, atuou como mediadora do acordo humanitário que buscava trocar 45 reféns políticos por 500 guerrilheiros presos. Entre o grupo de seqüestrados está a ex-candidata colombiana Ingrid Betancourt, que também é cidadã francesa, e três americanos."Com surpresa recebemos a decisão do governo colombiano de dar por terminada a mediação do presidente Hugo Chávez e a facilitação da senadora Piedad Córdoba na busca por um acordo humanitário", diz o comunicado. "O governo da Venezuela aceita essa decisão soberana do governo da Colômbia, mas manifesta sua frustração, uma vez que dessa maneira se termina um projeto que vinha sendo conduzido com pulso firme e em meio a grandes dificuldades, tendo-se conseguido em apenas três meses importantes avanços que já faziam pensar na possibilidade de uma solução para este drama essencialmente humano que afeta nossa irmã e querida Colômbia."O governo da Venezuela afirmou que continua disposto a prestar seus "humildes serviços pelo bem da vida e da paz". E enviou uma mensagem às famílias dos reféns das Farc: "A Venezuela quer que chegue aos parentes (dos seqüestrados) uma mensagem de fé, primeiro em Deus e depois no bom juízo das pessoas que têm em suas mãos o poder para fazer a tempo sábias correções." FRANCE PRESSE, EFE E REUTERS

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