Líder xiita diz a Bush que rejeita interferência no Iraque

Em um encontro com o presidente americano George W. Bush, o líder do maior partido xiita do Parlamento iraquiano, Abdul Aziz al-Hakim, disse que se opõe a qualquer esforço regional ou internacional para solucionar os problemas do Iraque que ignore a vontade o governo de unidade de Bagdá."Nós rejeitamos qualquer esforço regional ou internacional para resolver a situação iraquiana. O próprio Iraque deve estar na posição para solucionar seus próprios problemas", afirmou a liderança.A administração Bush trata Hakim como uma voz moderada no espectro da política iraquiana. Durante o encontro, no salão oval da Casa Branca, Bush afirmou que não está satisfeito com o progresso das mudanças no Iraque. O presidente americano disse, no entanto, que os Estados Unidos apóiam totalmente o governo iraquiano e querem continuar trabalhando para atingir objetivos conjuntos.Abdul Aziz al-Hakim - cujo partido, o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, tem relações estreitas com o Irã - afirmou que os problemas do Iraque devem ser solucionados pelos próprios iraquianos.No entanto, o clérigo disse que as forças americanas devem permanecer no Iraque.Política americanaSegundo analistas, Bush está explorando alternativas para a política americana no Iraque. O encontro ocorre às vésperas da confirmação do novo secretário de Defesa, Robert Gates, no cargo e da divulgação do relatório do grupo de estudos sobre o Iraque estabelecido em Washington, prevista para quarta-feira.Abdul Aziz al-Hakim tem grande influência no Iraque devido à popularidade de seu partido entre a maioria xiita da população. O clérigo viveu no exílio no Irã nos anos que antecederam a queda de Saddam Hussein e preserva fortes laços com o governo de Teerã.Seu partido uniu forças com outros grupos xiitas para ganhar a maioria dos assentos no Parlamento iraquiano nas eleições de dezembro passado.O antigo braço armado do partido, a Brigada Badr, uniu-se ao Exército e à força policial, mas tem sido acusado de participar de casos de tortura e assassinato de sunitas.ApoioSegundo analistas, a decisão de Bush de se reunir com Abdul Aziz al-Hakim pode ser um sinal de que o presidente americano está buscando figuras influentes no Iraque para sustentar o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki. Na semana passada, Bush teve um encontro com Maliki na Jordânia. Essa reunião, no entanto, foi ofuscada pelo vazamento de um relatório que questionava a habilidade do líder iraquiano.O relatório do grupo de estudos sobre o Iraque deverá recomendar negociações com a Síria e o Irã como parte de uma reavaliação da política americana.No domingo, o conselheiro de segurança nacional do presidente reafirmou que Bush irá considerar todas as recomendações do grupo.Também no domingo surgiu a informação de que, dias antes de deixar o cargo, no mês passado, o ex-secretário de Defesa americano Donald Rumsfeld fez uma série de recomendações sobre como os EUA poderiam mudar sua política para o Iraque.Nesta segunda-feira, o presidente da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, afirmou que a situação no Iraque ficou "muito pior" do que uma guerra civil. Essa afirmação é refutada pelo governo iraquiano.

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