Líder xiita ordena a suspensão de ataques

Sadr anuncia que sua milícia, o Exército Mehdi, não agirá por 6 meses

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Bagdá - O líder religioso radical xiita Muqtada al-Sadr ordenou ontem que sua milícia, o Exército Mehdi, suspendesse todo tipo de ação armada por seis meses. O objetivo, segundo o assessor de Sadr Ahmed al-Shaibani, é "remover integrantes que estão trabalhando por seus próprios interesses, prejudicando a reputação do Exército Mehdi". Ele afirmou ainda que os ataques a tropas americanas também estão suspensos. O anúncio foi feito um dia após membros da milícia de Sadr entrarem em conflito com um grupo xiita rival, a Brigada Badr, ligada ao Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), liderado pelo aiatolá Ali Sistani. O confronto, durante um festival religioso em Kerbala, sul do país, deixou 52 mortos e 240 feridos. Com a ordem de suspensão, o clérigo radical pode estar tentado distanciar-se de facções de sua milícia que fugiram de seu controle. O Exército dos EUA acusa esses grupos de receber armas, treinamento e verbas do Irã. Analistas afirmam que a suspensão será um teste para saber se os milicianos obedecerão a Sadr e revelar a extensão de sua autoridade.O conselheiro de segurança nacional do Iraque, Mowaffaq al-Rubaie, disse que a ordem de Sadr é bem-vinda. "Se ela (a suspensão) realmente acontecer, a violência no país irá se reduzir consideravelmente", afirmou Rubaie em entrevista à rede de TV americana CNN.Já os militares, tanto americanos como iraquianos, receberam a notícia com ceticismo. "O que realmente interessa são ações concretas, e é por essas medidas que estamos aguardando", afirmou o porta-voz do Exército dos EUA, general Kevin Bergner. "O mais importante é ver se os compromissos serão mantidos.""Essa suspensão não passa de uma manobra tática", afirmou, sob anonimato, um comandante do Exército do Iraque. "Seis meses ou até mesmo um ano não farão diferença, porque o Exército Mehdi é aliado do Irã e está apenas esperando por um sinal dos iranianos para pôr algo em prática", disse.Sadr ganhou destaque no cenário político iraquiano em 2003, logo após a invasão americana. No início do ano, os EUA afirmaram que o Mehdi era a maior ameaça para a pacificação do Iraque. O grupo de Sadr também detém um papel importante no governo, obtido depois do apoio à candidatura do atual primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, em 2006.PRISÃO DE IRANIANOSO Exército americano libertou na madrugada de ontem um grupo de oito iranianos, incluindo dois diplomatas, presos na véspera em Bagdá por carregarem armas não autorizadas. Depois de terem seus carros inspecionados num posto de controle, eles foram levados - vendados e algemados - até um hotel, onde foram interrogados. O comandante militar dos EUA no Iraque admitiu o erro e qualificou a prisão como um "incidente lamentável". Em nota de protesto, Teerã afirmou que o grupo estava em Bagdá a convite do governo iraquiano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.