Líder zapatista concede entrevista televisiva no México

O líder rebelde zapatistas mexicano subcomandante Marcos disse nesta terça-feira que o México se encontra em um "estado de fúria e indignação social", e alertou que as eleições presidenciais não parecem deter a escalada da discórdia.Em uma rara entrevista ao vivo, concedida à rede Televisa, o líder mascarado disse que o confronto que recentemente deixou um adolescente morto na região metropolitana da Cidade do México mostra o agravamento das tensões no país.Ele comparou o atual momento com janeiro de 1994, quando explodiu a revolta dos rebeldes zapatistas no Estado de Chiapas, sul do país. O subcomandante, entretanto, enfatizou que agora o grupo rebelde está comprometido com a paz.Fumando seu tradicional cachimbo, Marcos classificou os três principais candidatos presidenciais de "medíocres", ressaltando que nenhum deles oferece soluções para os problemas do México."Eles estão lutando por negócios e não pelo rumo para o país", avaliou o líder rebelde, acrescentando, porém, que os zapatistas não pretendem boicotar as eleições de 2 de julho, que também escolherão novos governadores e parlamentares.Marcos prevê que o esquerdista Andres Manuel Lopez Obrador, do Partido da Revolução Democrática, vencerá a disputa, apesar de recentes pesquisas indicarem a liderança do conservador Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional, candidato do presidente Vicente Fox.O líder zapatista disse que a decisão de não apoiar Lopez Obrador foi "a coisa certa". Ele disse que, se eleito, Obrador faria uma "administração assistencialista", enquanto Calderón representaria "mais do mesmo", ou a continuidade das políticas de Vicente Fox. Já sobre Roberto Madrazo, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), o zapatista disse que "ninguém acredita nele, nem mesmo sua família". O PRI é o partido que governou o México por 71 anos seguidos, até a vitória de Fox, em 2000.Marcos negou as acusações de Madrazo de que os zapatistas instigaram o confronto de San Salvador Atenco, a cerca de 25 quilômetros da Cidade do México. Na ocasião, membros de um grupo radical seqüestraram e espancaram seis policiais que tentavam coibir o comércio de ambulantes. No dia seguinte, a polícia respondeu com violência, espancando suspeitos que foram detidos. Mulheres que foram presas dizem que foram estupradas pelos policiais.O líder zapatista saiu de seu esconderijo em janeiro último e atualmente percorre o México na tentativa de formar um grande movimento nacional de esquerda no país. Sempre mascarado, ele disse na entrevista que acredita que um dia morrerá provavelmente por uma bala, apesar de "não desejar isso".

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