Lideranças iraquianas cancelam sessão do Parlamento

Os esforços para a formação de um governo de unidade nacional no Iraque sofreram um novo revés neste domingo, quando líderes iraquianos adiaram a sessão parlamentar em que a coalizão seria discutida. A decisão veio após fracassarem as tentativa para se chegar a um consenso. Paralelamente, a violência prosseguiu no país, com pelo menos 35 pessoas mortas neste sábado, 13 das quais vítimas de duas explosões em áreas xiitas de Bagdá. Para o governo norte-americano, a melhor forma de conter a violência sectária no Iraque é estabelecer um governo de unidade nacional reunindo xiitas, sunitas e curdos. Somente neste caso os Estados Unidos começariam a retirada de seus 133 mil soldados no país. Mas o progresso das negociações tem esbarrado na oposição sunita e curda à escolha xiita do primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari para comandar o novo governo. Com al-Jaafari recusando-se a abdicar do cargo, o chefe do Parlamento, Adnan Pachachi, convocou uma sessão para esta segunda-feira com a esperança de solucionar o impasse, algo que não foi conseguido pelos líderes partidários. Por isso, Pachachi anunciou o adiamento da sessão por alguns dias, com o objetivo de dar mais tempo para que os partidos cheguem a um acordo sobre o novo primeiro-ministro, o presidente e outros cinco cargos de primeiro escalão que exigem aprovação do Parlamento. Violência Com o pífio avanço no campo político, o cenário de caos continua no cotidiano das cidades iraquianas. Quatro marines americanos morreram no sábado na província de Anbar, informou o comando norte-americano. Os recentes casos elevam para 2.376 o número de militares norte-americanos mortos desde o início da guerra, em março de 2003. Pelo menos dez outras pessoas morreram na explosão de um carro-bomba perto de uma mesquita xiita em Mohmoudiya, a 30 quilômetros ao sul de Bagdá. Três outras foram mortas quando uma bomba explodiu em um microônibus em uma área xiita na porção leste de Bagdá, informou a polícia. Outras seis pessoas foram mortas quando tropas dos Estados Unidos invadiram uma casa procurando um suspeito da rede Al-Qaeda em Youssifiyah, a 20 quilômetros ao sul de Bagdá. Seis pessoas foram presas, entre elas o suspeito. Homens armados também mataram sete pessoas em Mossul. Em Baqouba, um microônibus foi alvo de tiros e cinco passageiros morreram. Dois civis foram mortos em uma emboscada na região de Kirkuk, a 290 quilômetros ao norte de Bagdá. Em uma outra emboscada, dois policiais foram mortos perto da Cidade Sadr, em Bagdá. Também na capital, homens disfarçados de policiais raptaram 12 empregados de uma companhia privada, divulgou o Ministério do Interior. Em outros incidentes, foram encontrados os corpos de três recrutas da polícia a cerca de quatro quilômetros a oeste de Ramadi. Segundo a polícia, junto aos cadáveres foi deixado um bilhete que informava: "Esta é a punição aos que entram para a nova polícia".

Agencia Estado,

16 Abril 2006 | 19h16

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