Líderes africanos dão ultimato para Gbagbo deixar poder

Líderes de países da África Ocidental entregaram pessoalmente hoje uma mensagem ao presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, ameaçando a intervenção militar se ele não aceitar o resultado das eleições presidenciais do mês passado, vencidas pelo líder oposicionista Alassane Ouattara. A delegação foi liderada pelos presidentes da Serra Leoa, Ernest Koroma, do Cabo Verde, Pedro Pires, e do Benin, Bon Yayi.

AE, Agência Estado

28 de dezembro de 2010 | 18h57

Os líderes levaram a mensagem da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) de que Gbagbo deve deixar o poder ou o grupo pode usar a força para resolver a crise política na Costa do Marfim. A delegação recusou-se a comentar o resultado da reunião com Gbagbo, que durou três horas.

Os três presidentes não estão entre os maiores críticos de Gbagbo na Ecowas, mas estão armados com uma resolução que exige que ele entregue o poder para Ouattara assinada por chefes mais poderosos, como o líder do bloco, o presidente da Nigéria Goodluck Jonathan.

Apesar disso, parece haver poucas chances de que Gbagbo vá deixar o cargo, já que ele continua a afirmar que é o líder legalmente eleito em novembro e advertiu que a ameaça militar da Ecowas pode provocar uma guerra na região.

A Ecowas ameaçou usar "a força legítima" se Gbagbo não largar o poder e partir para o exílio. A Nigéria tem o exército mais forte da região e espera-se que desempenhe um papel de maior relevância se uma operação for lançada para afastar Gbagbo.

Os partidários do líder da oposição Ouattara têm se mostrado confiantes de que o auxílio está a caminho. "Esse não é um blefe", afirmou ontem um conselheiro graduado de Ouattara, sob anonimato. "Os soldados estão vindo bem mais rápido do que todo mundo pensa", disse.

A Ecowas tem feito intervenções em crises no passado. Tropas da organização tomaram a capital de Serra Leoa em 1998 e permitiram a volta de um presidente eleito ameaçado por militares. A Ecowas também interveio na Libéria em 1990 e suas forças ficaram no país por vários anos. A organização também enviou tropas à Guiné-Bissau.

Violência

Semanas de violência pós-eleitoral deixaram pelo menos 173 pessoas mortas na Costa do Marfim, de acordo com as Nações Unidas. Segundo a comissão eleitoral da Costa do Marfim, as eleições foram vencidas por Ouattara. A vitória de Ouattara foi reconhecida por observadores internacionais, os Estados Unidos, a União Europeia e países africanos. O governo francês disse que suas tropas na Costa do Marfim protegerão cidadãos franceses, mas não tomarão nenhuma decisão se tropas internacionais forem enviadas.

Gbagbo está no poder desde 2000 e já estendeu seu mandato presidencial por cinco anos até que as eleições finalmente ocorreram em outubro, com um segundo turno em novembro. O objetivo das eleições era reunificar um país dividido pela guerra civil de 2002 e 2003, que separou a Costa do Marfim em um norte insurgente e um sul legalista. O país foi oficialmente reunido em 2007 com um acordo de paz. Ouattara tem seu apoio principalmente no norte.

A Ecowas é constituída pelo Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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