Líderes africanos encerram cúpula sem tomar decisões importantes

Os líderes africanos reunidos na capital da Gâmbia encerraram hoje sua cúpula sem tomar decisões importantes sobre as crises de Darfur, da Somália e da Costa do Marfim, temas centrais dos dois dias de reuniões.O presidente da União Africana (UA), o congolês Denis Sassou Nguesso, pronunciou o discurso de encerramento sem fazer referência alguma às questões debatidas, limitando-se a fazer declarações de princípios e a insistir na importância da "restauração da paz, da estabilidade e da segurança" no continente.Nenhum documento final foi publicado no fechamento do encontro, embora Nguesso, em entrevista coletiva, tenha classificado a cúpula como "satisfatória e bem-sucedida".Sobre a crise em Darfur, ele confirmou o anúncio feito um pouco antes pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre a prorrogação da missão de paz da UA na região sudanesa até dezembro e o acompanhamento das discussões para o alcance de um acordo com o Governo de Cartum.Quanto à situação na Somália, o dirigente congolês ressaltou que a questão foi amplamente debatida e que a UA apóia o Governo de transição em Mogadíscio, embora tenha convidado à comunidade internacional a ser envolver no processo de paz.Por outro lado, Sassou Nguesso lamentou as saídas maciças de jovens africanos em direção às costas canárias em condições muito arriscadas."As imagens dolorosas emitidas pelas televisões de jovens afogados (nessas travessias em direção às Ilhas Canárias) não deixam os dirigentes africanos indiferentes", disse o presidente da UA, que vinculou à miséria e à desigualdade entre países ricos e pobres a atitude desesperada dos imigrantes clandestinos.O líder congolês disse ainda que, enquanto este problema não for corrigido, o fenômeno continuará, a não ser que haja um diálogo entre os países envolvidos sobre uma solução duradoura através de medidas para o desenvolvimento econômico e social do continente africano.Em relação ao caso do ex-presidente do Chade Hisén Habré, Nguesso confirmou a decisão dos chefes de Estado reunidos na cúpula de que aquele será processado no Senegal, onde atualmente vive como exilado político."Habré se beneficiará de um processo equitativo, transparente e justo", assegurou Nguesso, que não confirmou as datas para o começo do processo judicial de Habré, acusado de genocídio e corrupção.A cúpula também reafirmou, segundo seu presidente, a necessidade de ser impulsionado um processo de integração do continente, o que supõe a criação prévia de um ambiente "pacificado, estável e seguro".A próxima cúpula da UA acontecerá dentro de seis meses, em Adis-Abeba, sede da organização.

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