Líderes anti-Taleban criticam ataques dos EUA

Duras críticas à utilização de bombas de fragmentação por parte dos Estados Unidos em sua campanha no Afeganistão uniram hoje, paradoxalmente, os líderes das facções anti-Taleban, que consideram os dispositivos "ineficazes" e os definiram como "operações que reforçaram os talebans". Os ataques aéreos anglo-americanos das últimas horas nas linhas de frente dos talebans "não foram eficazes", e as bombas que caíram sobre a cidade provocaram, sobretudo, vítimas civis, disseram fontes do governo afegão de Burhanuddin Rabbani, que se encontra no exílio. Fontes da embaixada afegã em Dushanbe, Tajiquistão, sublinharam que os ataques contra as linhas integristas nas cidades de Kandahar, Mazar-i-Sharif e Bagram, ao norte de Cabul, "constituíram uma ação psicológica que não levou aos resultados desejados". Além disso, os ataques de ontem sobre a capital afegã, Cabul, provocaram, principalmente, vítimas civis e danos em residências. Em Teerã, onde vive no exílio, um dos antigos chefes da resistência anti-soviética, Gulbuddin Hekmatyar, disse que as operações militares norte-americanas lançadas a partir do último dia 7 "reforçaram os talebans entre a população afegã" e não conseguiram os resultados esperados. Hekmatyar, que fez as declarações à imprensa, afirmou também que a "maior parte dos afegãos esquecerá as críticas com relação aos talebans, porque quer defender seu país". "Eu mesmo me encontro nesta posição e decidi viajar ao Afeganistão no momento propício para defender o meu país", afirmou Hekmatyar, chefe do partido integrista Hezbi-i-islami, que foi primeiro-ministro depois de concluído o regime de Najibullah, em 1992. Uma resolução aprovada hoje em Peshawar por centenas de líderes afegãos - exilados, chefes de tribos ou simplesmente cidadãos - afirma que "os estrangeiros que agravarem as misérias de nosso povo não devem desfrutar da hospitalidade dos afegãos". Também o comandante militar checheno Khattab assegurou que, "no final, a vitória no Afeganistão será dos talebans", que, segundo ele, não têm necessidade de nenhuma ajuda militar exterior. Leia o especial

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