EFE/EPA/Jerome Favre
EFE/EPA/Jerome Favre

Líderes ativistas de Hong Kong são condenados a até 18 meses de prisão por protesto de 2019

Entre os condenados, está o magnata da mídia Jimmy Lai, que já está preso e recebeu uma sentença adicional de 14 meses

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2021 | 04h56

XANGAI — Ativistas pró-democracia de Hong Kong foram condenados a até 18 meses de prisão por convocarem um protesto não autorizado em outubro de 2019, segundo a imprensa local. A sentença foi proferida nesta sexta-feira, 28. 

Segundo a emissora pública de televisão RTHK, as condenações mais duras foram para os ex-deputados Albert Ho, Lee Cheuk-yan e Leung Kwok-hung; e para Figo Chan, coordenador da Frente Civil pelos Direitos Humanos, organização que chamou algumas das manifestações mais massivas durante os protestos antigovernamentais de 2019.

Os quatro oponentes foram condenados a 18 meses de detenção por incitar a participação em uma manifestação não autorizada no Dia Nacional da China (1º de outubro) de 2019 e a mais 18 meses por organizá-la. Ambas as penas serão cumpridas simultaneamente. 

Outro condenado é o magnata Jimmy Lai, dono de meios de comunicação críticos a Pequim, que já está preso e recebeu uma sentença adicional de 14 meses, dos quais 6 serão cumpridos simultaneamente à sua pena anterior, prolongando assim sua permanência na prisão a 20 meses.

Lai, 72, foi detido após ser acusado de "conspirar com forças estrangeiras" sob a lei de segurança que Pequim impôs à cidade em junho de 2020, que inclui sentenças inclusive de prisão perpétua. O empresário também foi acusado de "conspiração para obstruir o curso da Justiça" por supostamente ajudar um dos doze habitantes de Hong Kong capturados na China em 2020 quando tentavam fugir para Taiwan, e já havia sido condenado duplamente em abril a 12 e 8 meses de prisão — combinados em uma sentença única de 14 meses — por participar de dois protestos em agosto de 2019.

Protesto proibido pela polícia

Os ex-parlamentares Cyd Ho e Yeung Sum, bem como o ex-presidente da Liga dos Sociais-Democratas Avery Ng, também vão passar 14 meses na prisão. Por fim, o ex-parlamentar Sin Chung-kai e o ativista Richard Tsoi, da organização Aliança pelo Apoio em Hong Kong aos Movimentos Patrióticos e Democráticos da China, também foram condenados a 14 meses, mas não serão efetivamente presos porque tiveram sua sentença suspensa por dois anos.

Os 10 condenados confessaram a "culpa" por organizar a manifestação, da qual milhares de pessoas participaram, apesar da proibição policial. Ng e Tsoi também admitiram ter participado, enquanto Chan, Lee, Leung e Ho se declararam culpados por incitá-la.

No protesto, alguns manifestantes ergueram barricadas e incendiaram bandeiras chinesas, além de jogar coquetéis molotov e vandalizar estações de metrô, escritórios do governo e lojas. Por sua vez, a tropa de choque recorreu a tiros para o alto, balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e canhões de água com tinta.

A juíza que proferiu a sentença afirmou que sua decisão tem aspecto "dissuasivo e corretivo" e que, embora alguns dos arguidos tenham pedido que a manifestação fosse pacífica, esta não era uma ideia "realista", dada a tensão vivida durante a segunda metade de 2019 na ex-colônia britânica. /EFE

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