Líderes ativistas de Hong Kong são presos por protesto de 2019

Líderes ativistas de Hong Kong são presos por protesto de 2019

Nos últimos meses, autoridades no território intensificaram os esforços para pressionar os dissidentes e desde que os protestos começaram prenderam ou multaram inúmeros ativistas da luta pró-democracia

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2020 | 13h02

HONG KONG - A polícia de Hong Kong prendeu neste sábado, 18, pelo menos 14 ativistas do movimento pró-democracia sob a acusação de terem organizado protestos não autorizados durante o ano passado.

O partido político da Liga dos Social-Democratas confirmou pelo Facebook que seu presidente, Raphael Wong, o vice-presidente, Leung Kwok-hung, e o secretário-geral, Avery Ng, estão entre os detidos.

Ex-legisladores como Martin Lee Chu-ming e Lee Cheuk-yan, ex-presidente do Partido Democrata, e Figo Chan Ho-wun, vice-coordenador da Frente Civil pelos Direitos Humanos, também estão entre os presos, segundo informações do jornal Hong Kong Free Press.

Os 14 manifestantes foram detidos por organizarem protestos que foram proibidos pela polícia em 18 de agosto e 1º e 20 de outubro do ano passado, de acordo com o periódico.

A manifestação de agosto, que marcou o 13º fim de semana consecutivo de agitação civil na cidade, foi realizada com a participação de dezenas de milhares de pessoas, apesar da chuva. Embora o objetivo fosse protestar fora da sede do Escritório de Ligação - o órgão representante do governo de Pequim em Hong Kong -, muitos se reuniram fora da sede da força policial, que decidiu usar canhões de água de cor azul pela primeira vez desde o início dos protestos maciços.

A marcha foi convocada pela Frente Civil pelos Direitos Humanos, o órgão por trás das maiores e mais pacíficas manifestações do movimento, mas as autoridades recusaram a permissão para realizá-la, alegando que outros protestos haviam envolvido violência.

Para Entender

2019, o ano de todos os protestos

Gatilho para mobilizações pode ser relativamente abstrato, como a lei das extradições em Hong Kong, ou mais pragmático, como o aumento do preço do metrô em Santiago e a reforma da previdência na França

O de 1º de outubro, que ocorreu quando Pequim comemorava os 70 anos da fundação da República Popular da China, terminou com uma pessoa gravemente ferida, dezenas de detidos, gás lacrimogêneo e barricadas em chamas.

E o do dia 20 do mesmo mês, que tinha como tema sua oposição à chamada lei que proibia máscaras em manifestações e pedia uma reforma da força policial, também acabou com cenas de caos e graves confrontos quando os mais radicais optaram por bloquear estradas, atear fogo nas ruas e jogar coquetéis molotov nas delegacias.

Nos últimos meses, as autoridades de Hong Kong intensificaram seus esforços para pressionar os dissidentes, e desde que os protestos começaram, em março de 2019, prenderam ou multaram inúmeros ativistas e figuras proeminentes da luta pró-democracia. Mais recentemente, as manifestações perderam ainda mais força devido à propagação do novo coronavírus. /EFE

 

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