Líderes chavistas ligam oposição à extrema direita

Chanceler Elías Jaua compara protesto da oposição à 'Noite dos Cristais', ataque nazista ocorrido em 1938

CARACAS, / F.C., O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2013 | 02h05

Diante de sua primeira grande crise menos de 48 horas depois de eleito presidente, Nicolás Maduro não foi o primeiro a mostrar a reação do governo venezuelano aos protestos da oposição, na manhã de ontem. Diosdado Cabello, nome forte do chavismo e presidente da Assembleia Nacional, tomou os microfones logo cedo para anunciar o processo penal aberto contra "os fascistas" - referindo-se a Henrique Capriles e outros líderes da oposição.

Pouco tempo após a fala de Cabello, o ministro de Relações Exteriores, Elías Jaua, incumbiu-se de administrar a crise conversando com diplomatas estrangeiros - incluindo o embaixador brasileiro, José Antônio Medeiros de Carvalho.

Durante o encontro, Jaua classificou os protestos da oposição na madrugada de ontem como uma "Noite dos Cristais", em referência ao ataque maciço promovido por nazistas contra sinagogas, residências e comércios de judeus por toda a Alemanha e em parte da Áustria em 1938.

Maduro voltou a se manifestar apenas no início da tarde, enquanto inaugurava um centro de saúde em Miranda, Estado governado por Capriles.

O presidente repetiu as acusações contra a oposição, exigindo que o candidato derrotado admita sua responsabilidade nos distúrbios e pelas mortes ocorridas no país.

Ameaças. Maduro pareceu ter voltado ao olho do furacão apenas no início da tarde, quando falou à população em rede nacional pedindo o fim da violência e manteve uma reunião com executivos da estatal petroleira PDVSA.

O encontro serviu para discutir a crise e anunciar ao público que todas as atividades estão normais no setor, apesar da instabilidade no país.

Horas depois, o presidente eleito fez uma ameaça direta ao candidato derrotado na eleição, dizendo que "um governador que não me reconheça não pode ser reconhecido".

O presidente deu a entender que pretende cortar todos os repasses de recursos para o Estado de Miranda, governado por Capriles.

Em seguida, Maduro afirmou que convocará uma reunião do Conselho Federal de Governo para "revisar tudo", sem especificar quando será o encontro.

Encerrada a reunião na PDVSA, Maduro viajou para o Estado de Aragua para a inauguração de um hospital.

Enquanto o presidente se deslocava, Cabello voltou a aparecer na sessão da Assembleia Nacional, abrindo os trabalhos com mais um duro discurso contra a oposição.

Durante o restante da sessão, legisladores chavistas interrompiam vários discursos aos gritos de "assassino" após cada menção ao nome de Capriles.

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