Líderes chineses demonstram unidade após expulsão de Bo

Líderes chineses fizeram uma demonstração de unidade neste sábado após as acusações contra o político Bo Xilai, cuja expulsão do Partido Comunista causou protestos dos partidários esquerdistas.

Reuters

29 de setembro de 2012 | 11h44

O ex-dirigente, um personagem carismático que divergia do apático cenário político chinês, deve enfrentar julgamento e prisão depois de o Partido Comunista ter anunciado sua expulsão na sexta-feira e emitido uma lista de acusações.

Bo foi acusado de descumprir a lei ao abafar um homicídio, de aceitar grandes propinas e manter "relações sexuais impróprias com múltiplas mulheres".

O partido sepultou Bo devido às acusações ao mesmo tempo em que anunciou a data de 8 de novembro para o Congresso consagrar uma nova geração de líderes, um papel que Bo tinha ambições claras de possuir.

Na noite de sábado, líderes se reuniram na sede do Parlamento para a recepção do Dia Nacional, a primeira aparição pública dos legisladores desde a revelação das acusações contra Bo.

O primeiro-ministro, Wen Jiabao, não mencionou Bo ou quaisquer polêmicas em seu discurso para centenas de diplomatas, autoridades e convidados.

"Olhando em frente, estamos cheios de confiança", afirmou Wen no discurso, acrescentando que "nenhum problema nos impedirá de ir em frente".

Os oito outros membros do Comitê de Políticas do Partido Comunista, o mais secreto núcleo do poder do órgão, também participaram.

A queda de Bo desordenou as preparações do partido para sucessão de lideranças e expôs abuso de poder após um ex-chefe de polícia ter buscado abrigo no Consulado norte-americano para revelar que a mulher de Bo, Gu Kailai, tinha assassinado um empresário britânico.

A imprensa estatal tentou dividir as imagens de Bo e da elite do partido, celebrando sua queda como uma vitória da determinação dos comunistas em combater a corrupção.

"Não importa qual é a posição, não importa o quão influente são, qualquer um que violar a disciplina do partido e da lei do Estado será severamente perseguido e punido", afirmou uma autoridade à agência de notícias Xinhua.

"Como uma importante autoridade do partido, Bo Xilai tinha que ser um modelo de obediência à disciplina do partido", afirmou a agência em seu comentário. "Mas, em vez disso, ele monopolizou o poder e se comportou indiferentemente, fazendo o que queria e violando gravemente a disciplina."

No começo do domingo, o Parlamento confirmou que Bo foi removido como delegado, após sua expulsão do partido e de seus conselhos, informou a Xinhua.

(Por Chris Buckley)

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