Líderes civis e Exército discutirão futuro de Burkina Fasso

Situação política continua confusa, especialmente depois que oposição, representantes da sociedade civil e de organizações internacionais rejeitaram a tomada do poder pelos militares

O Estado de S. Paulo

02 Novembro 2014 | 15h16

OUAGADOGOU - Líderes da oposição em Burkina Fasso se reunirão na tarde desde domingo, 2, com o tenente-coronel Yacouba Issac Zida, escolhido ontem pelo Exército para dirigir a transição após a renúncia do ex-presidente Blaise Compaoré. 

A situação política no país continua confusa, especialmente depois que oposição, representantes da sociedade civil e de organizações internacionais rejeitaram a tomada do poder pelos militares.

A oposição, que ainda não definiu um líder, concordou em se reunir com Zida, antigo "número dois" da guarda presidencial de Compaoré. Antes, ela protestou nas ruas da capital Ouagadogou, pedindo que o exército não "confisque" o processo transitório.

Após as manifestações para exigir uma transição civil, um grupo proclamou como representante da oposição a presidente do Partido pela Democracia e a Mudança (PDC, na sigla em francês), Saran Sérémé.

Sérémé foi escoltada por manifestantes até a televisão pública de Burkina Fasso, a RTB, para que se declarasse presidente interina, mas encontrou no local vários militares, informaram veículos da imprensa local. Houve relatos de um tiroteio no local e as transmissões foram interrompidas, como afirmaram testemunhas à agência Reuters. Outros líderes da oposição desmentiram a nomeação e destacaram a reunião com Zida para abordar as direções da transição.

A missão conjunta das Nações Unidas, a União Africana (UA) e a Comissão da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao) exigiram na manhã de hoje uma transição civil. As organizações internacionais e regionais se opuseram assim à tomada do poder por parte do Exército, anunciou o chefe da missão conjunta, Mohammed Ibn Chambas.

Horas depois de sua nomeação, Zida anunciou a reabertura das fronteiras do país, em crise desde a última sexta-feira por causa dos protestos que levaram à renúncia de Compaoré. Pelo menos três pessoas morreram durante os protestos nos quais se chegou a atear fogo ao Parlamento na capital. A imprensa local, porém, já elevou para 30 o número de mortos.

Uma relativa calma foi registrada nas últimas horas em Burkina Fasso, que reabriu as fronteiras aéreas. Segundo fontes oficiais, as escolas voltam a funcionar normalmente nesta segunda-feira. / EFE e REUTERS

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