Remy de la Mauviniere/AP
Remy de la Mauviniere/AP

Líderes condenam atentado que matou quatro no sul da França

Reações vieram da Casa Branca, líderes israelenses e comunidades judaicas; ex-presidente Lula também se pronunciou

19 de março de 2012 | 14h27

Texto atualizado às 20h29

 

TOULOUSE, FRANÇA - O ataque a uma escola judaica em Toulouse, sul da França, que matou quatro pessoas na manhã desta segunda-feira, 19, gerou indignação em diversas partes do mundo. A Casa Branca condenou "veementemente" o ataque "vergonhoso".

 

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"Ficamos profundamente tristes quando ouvimos que houve um horrível ataque nesta manhã a professores e alunos de uma escola judaica na cidade francesa de Toulouse", disse um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor.

 

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que a humanidade não pode aceitar atos de "violência e racismo". "O antissemitismo já produziu um dos maiores horrores da humanidade, o Holocausto. Não podemos permitir o retorno dessa tragédia", disse Lula, segundo sua assessoria de imprensa.

 

O atentado foi também condenado pela comunidade judaica brasileira. "É inadmissível que testemunhemos um ato de tamanha violência e covardia", avaliou Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib). "E, para nossa preocupação, observamos que mesmo uma sociedade democrática como a França encontra-se vulnerável a tais explosões de ódio e que têm como alvo prioritário crianças". A Conib enviou mensagem de condolências às instituições da comunidade judaica francesa e à Embaixada da França em Brasília.

 

Israel e comunidades judaicas

 

"Hoje, na França, houve um assassinato desprezível de judeus, incluindo crianças pequenas", disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. "Você não pode excluir a possibilidade de que o antissemitismo levou a um assassinato violento". O premiê manifestou a esperança de que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, "faça todos os esforços para encontrar o assassino" e ofereceu a ajuda de Israel à França.

 

O Congresso Judaico Europeu, cuja sede fica na capital francesa, também pediu que as autoridades locais "façam tudo" para encontrar o autor do ataque, o que demonstra a "necessidade" de reforçar a educação contra o antissemitismo. Na Itália, o presidente da Comunidade Judaica de Roma, Riccardo Pacifici, expressou preocupação e profunda indignação. "Os policiais estão patrulhando a área e intensificamos a nossa própria vigilância", disse o diretor da escola, Jan Couwenberg, à AFP.

 

A Conferência dos Rabinos Europeus (CER), com sede em Bruxelas, também lamentou o ataque. "Este ato horrível é indicativo de uma sociedade onde, para a intolerância, é permitido espalhar os seus venenos", disse o rabino Pinchas Goldschmidt, presidente da CER. Ele também destacou que a entidade "pede às autoridades francesas para fazerem todo o necessário para garantir que o autor desse ato seja encontrado e enviado à Justiça".

 

A embaixada turca em Paris também condenou "firme e veementemente o ataque desta manhã em Toulouse". A Turquia divide "a dor das famílias das vítimas e apresenta as suas sinceras condolências à comunidade judaica na França". A Autoridade Palestina manifestou a sua indignação com relação a este "ataque", nas palavras do porta-voz Saeb Erekat.

 

Europa

 

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse que ficou "chocado" com o que chamou de "violência terrível" e "ato de terror". Em Haia, foi reforçada a necessidade da vigilância nas escolas judaicas. O Vaticano também condenou o ataque. Em mensagem divulgada pela Rádio Vaticana, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, classificou o acontecimento como "um ato horrível e vergonhoso que suscita profunda indignação e desconcerto e a mais resoluta condenação, inclusive pela idade e pela inocência das pequenas vítimas, e porque ocorreu em uma pacífica instituição educativa judaica".

 

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, também expressou sua "profunda indignação de desconcerto" pelo ataque. "O antissemitismo, como a xenofobia e a intolerância, são totalmente estranhos aos princípios fundadores da nossa convivência civil e do patrimônio de valores sobre os quais se apoia toda a humanidade", atestou Monti.

 

Quatro pessoas morreram, sendo três crianças e um adulto, durante o atentado. Um homem abriu fogo contra o local e fugiu de moto em seguida. As primeiras informações dão conta de que as vítimas são um professor de 30 anos e dois filhos seus, de 3 e 6 anos, além de outra criança de 10 anos.

 

Com agências de notícias

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