Líderes cubanos voltam a respirar

Cenário: Andrew Cawthorne e

O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2013 | 02h09

Daniel Wallisw / Reuters

Cuba já respira melhor. O regresso de Hugo Chávez na madrugada de ontem foi um típico gesto destinado a surpreender a plateia do militar da reserva cujo governo mescla a constante teatralidade política com discursos radicais antiamericanos, um tratamento duro para os que estão na oposição e generosos gastos com as receitas petrolíferas em benefício dos pobres.

Os críticos deploram o mistério que se mantém em torno de sua saúde e alguns querem uma declaração formal de que ele já não está apto para governar. Contudo, isso levaria à convocação de novas eleições presidenciais no prazo de 30 dias, nas quais Nicolás Maduro se colocaria provavelmente contra o líder da oposição, Henrique Capriles.

A prolongada permanência de Chávez em Cuba alimentou as acusações dos adversários de que o governo da Venezuela estaria sendo manipulado e dirigido de Havana. O ex-líder cubano Fidel Castro é o mentor político e uma figura paterna para Chávez, e o visitava regularmente no hospital. "Estou feliz por você ter conseguido voltar ao pedaço de terra que você ama tanto e para o povo fraternal que lhe deu tanto apoio", escreveu a Chávez em uma carta publicada pelo governo cubano ontem. "Você aprendeu muito sobre a vida, Hugo, nos dias difíceis de sofrimento e sacrifício", disse. Fidel insistiu que se mantenha discrição a respeito do estado de saúde do presidente a fim de frustrar o intuito "fascista" de derrubá-lo.

Uma fonte diplomática de alto escalão da região comentou que as autoridades cubanas agora respirarão melhor depois da saída de Chávez, em parte em razão dos custos políticos para Cuba pelo fato de muitos se perguntarem quem estaria governando a Venezuela. Maduro também estava sendo afetado antes de uma nova eleição, disse a fonte, e Capriles não se cansou de acusar continuamente o vice-presidente e outros representantes do governo de mentir sobre a saúde do presidente.

Cerca de 20 estudantes venezuelanos passaram os últimos quatro dias se manifestando perto da embaixada cubana em Caracas, em protesto contra o que consideram a interferência de Havana. Maduro é o herdeiro presumível de Chávez e seria o favorito numa disputa apertada.

O regresso de Chávez eclipsa o debate a respeito da recente desvalorização do bolívar. A medida foi extremamente impopular entre a população venezuelana e os políticos da oposição procuraram apontá-la como uma prova da incompetência econômica do governo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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