Líderes da África cancelam visita a Mali temendo violência

Os aviões que levavam presidentes da África Ocidental para um encontro com a nova liderança militar de Mali nesta quinta-feira foram obrigados a abandonar a missão em pleno voo, depois que protestos contra a interferência estrangeira após o golpe da semana passada tomou conta da principal pista do aeroporto da capital.

DAVID LEWIS E ANGE ABOA, REUTERS

29 Março 2012 | 12h55

Uma autoridade da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) afirmou que a reunião, que pretendia pressionar os líderes do golpe a restaurar rapidamente a ordem constitucional após a deposição do presidente Amadou Toumani Touré, poderá ser remarcada para sexta-feira se a segurança permitir.

"(O encontro) foi cancelado depois que a junta permitiu que os manifestantes entrassem na pista, ao contrário do compromisso feito aos ministros estrangeiros em uma reunião ontem (quarta-feira)", disse a autoridade, que pediu para não ser identificada.

"Compreensivelmente, isso criou um temor quanto à segurança, obrigando os chefes de Estado a suspender a sua chegada."

Centenas de manifestantes pró-junta, alguns carregando faixas com as mensagens "CEDEAO, nos deixe resolver os nossos próprios problemas" e "CEDEAO, a vergonha da África", invadiram brevemente a pista do aeroporto de Bamako antes de o líder militar, capitão Amadou Sanogo, convencê-los a sair.

Vizinhos regionais afirmaram que estão preparados para usar as sanções e uma possível força militar para destituir os novos líderes do Exército do Mali, enquanto Estados Unidos e França condenaram o golpe.

Cinco chefes de Estado -da Costa do Marfim, Níger, Benin, Burkina Faso e Libéria- se reuniram no aeroporto de Abidjã na tarde desta quinta-feira para discutir o próximo passo, enquanto o sexto membro da delegação, o nigeriano Goodluck Jonathan, ficou na Nigéria, disseram fontes.

O golpe durante a noite, visto como um revés para frágeis conquistas democráticas na África, foi desencadeado pela ira do Exército com a forma com que Touré lidou com uma rebelião tuaregue no norte de Mali, que nas últimas semanas ganhou terreno.

(Reportagem adicional de Adama Diarra e Tiemoko Diarra)

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