Líderes da América do Sul e da África pedem restituição de Zelaya

Cúpula na Venezuela exige que governo interino de Honduras garanta segurança de embaixada brasileira.

Claudia Jardim, BBC

26 de setembro de 2009 | 23h09

Os chefes de Estado que participam da 2ª Cúpula América do Sul-África (ASA) aprovaram na noite deste sábado uma resolução na qual exigem o fim das ações de intimidação à embaixada do Brasil em Honduras e pedem a restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya, como saída para solucionar a crise no país.

Uma declaração lida pelo anfitrião do encontro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diz que os líderes pedem "a restituição imediata e incondicional do presidente constitucional Manuel Zelaya à Presidência".

Na resolução, os líderes expresaram sua preocupação com a situação política em Honduras e decidiram aprovar as declarações da União Africana e da Unasul que condenaram anteriormente a deposição de Zelaya.

Os chefes de Estado reunidos em Isla Margarita, na Venezuela, também aprovaram a declaração emitida na sexta-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, na qual condena os "atos de intimidação" do governo interino de Honduras contra a embaixada brasileira.

A ASA afirma que "resulta imperioso garantir que o regime de fato respeite e cumpra plenamente" a Convenção de Viena, que prevê a inviolabilidade e segurança das missões diplomáticas.

A resolução, proposta pelo Brasil, foi aprovada por unanimidade e aplaudida na sessão plenária.

Protesto

Neste sábado, milhares de apoiadores de Zelaya voltaram às ruas da capital hondurenha, Tegucigalpa, em um protesto para marcar os 90 dias da deposição do presidente e exigir seu retorno ao poder.

Zelaya foi deposto e expulso de Honduras em 28 de junho. Na última segunda-feira, ele retornou ao país sem a autorização do governo interino, que cobra a sua prisão, e se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Além de Zelaya, cerca de 60 de seus seguidores também estão abrigados na embaixada, que permanece cercada por policiais.

No início da semana, o prédio chegou a ter o fornecimento de água e energia cortado.

Na sexta-feira, o presidente deposto havia afirmado que a embaixada brasileira foi alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança do país. Um porta-voz da polícia, no entanto, negou o ataque.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que um de seus delegados entrou no prédio neste sábado, a pedido de Zelaya, mas não constatou situação de emergência no local.

"Retrocesso"

A crise política em Honduras se tornou assunto permanente nos bastidores da Cúpula entre as delegações presentes na Venezuela.

O governo interino que assumiu o poder em Honduras, comandado por Roberto Micheletti, não é reconhecido pela comunidade internacional. O Brasil, por exemplo, ainda considera Zelaya o presidente legítimo de Honduras.

Em seu discurso na sessão de abertura da Cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a condenação à deposição de Zelaya. "Lutamos muito para varrer para a lata do lixo da história as ditaduras militares. Não podemos permitir retrocessos deste tipo no nosso continente", afirmou.

Para Chávez, que disse "saber de tudo" em relação ao retorno Zelaya a Honduras, a solução da crise dependerá das pressões exercidas pela comunidade internacional.

"É preciso presssionar e pressionar. As Nações Unidas deveriam estabelecer sanções contra este governo (interino)", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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