Líderes da UE e da América Latina debatem sobre clima e comércio

Desavenças sobre os biocombustíveis esobre o livre comércio dominaram uma cúpula que reuniu nasexta-feira, no Peru, dirigentes europeus e latino-americanos,em debates também a adoção de medidas concretas para enfrentara pobreza e o aquecimento global. O presidente da Bolívia, Evo Morales, discordou de seusparceiros regionais a respeito de como garantir que os pobresse beneficiem do comércio internacional, ao passo que odirigente da Venezuela, Hugo Chávez, fez aumentar as tensões emum conflito com a vizinha Colômbia. O Brasil, maior exportador de etanol do mundo, figura entreos maiores defensores dos chamados combustíveis verdes, masmuitos países pobres culpam o produto pela recente alta dopreço dos alimentos, responsável por provocar uma crisemundial. "Dentro em breve, caso a crise se aprofunde, centenas demilhões de pessoas serão ameaçados pela fome", disse opresidente peruano, Alan García, no quinto encontro de chefesde Estado da Europa, da América Latina e do Caribe. "Precisamos fixar metas para enfrentar esse grave problemados alimentos que ameaça a humanidade", acrescentou García, umadversário dos biocombustíveis. Os defensores do livre comércio afirmam que a remoção detarifas alfandegárias baixaria o preço dos alimentos, mas oscontrários a esse tipo de medida argumentam que os pactoscomerciais prejudicariam a produção de alimentos porqueeliminariam subsídios. Muitos países latino-americanos criticaram a utilização degrãos comestíveis como a soja e o milho para fabricarcombustíveis renováveis. Essas nações mostram-se cada vez maispreocupadas com as mudanças climáticas e dizem que os Estadosricos precisam diminuir suas emissões de carbono. Países europeus e latino-americanos defenderam a adoção demedidas para combater o aquecimento global, entre as quaiscriar mercados de cota de carbono, realizar ações dereflorestamento e dar dinheiro a algumas nações parapreservarem suas áreas verdes. LIVRE COMÉRCIO Já a questão do livre comércio trouxe à tona algumas dasprofundas divergências ideológicas existentes na região. A Colômbia e o Peru, por exemplo, estão perdendo apaciência com Morales, um ex-líder cocaleiro que vê nos pactosde livre comércio uma ameaça aos agricultores pobres. Os governos colombiano e peruano pediram pela assinatura, omais rápido possível, de acordos econômicos entre a UniãoEuropéia (UE) e os países andinos. A chanceler da Alemanha,Angela Merkel, disse que o bloco europeu está "aberto edisposto a desobstruir o caminho" na questão comercial. Merkel não mencionou um recente atrito ocorrido entre ela eChávez, que a chamou de herdeira política de Adolf Hilter apósa dirigente alemã tê-lo acusado de prejudicar as relações entrea Europa e a América Latina. O dirigente venezuelano, de sua parte, citou novamente oembate ocorrido entre o país dele e o Equador, de um lado, e aColômbia, de outro. O governo colombiano enviou soldados seuspara dentro do território equatoriano a fim de realizar umataque contra um grupo guerrilheiro. A ação militar fez com que o Equador rompesse seus laçosdiplomáticos com a Colômbia. Recentemente, o dirigenteequatoriano, Rafael Correa, acusou o líder colombiano, AlvaroUribe, de lançar uma campanha de difamação ao dizer que Correae Chávez mantêm contato com uma guerrilha colombiana. (Reportagem adicional de Dana Ford, Terry Wade, MarcoAquino, Silene Ramirez e Ricardo Serra)

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