Líderes da UE não chegam a acordo sobre imigração

Os líderes da União Europeia divergiram nesta sexta-feira sobre a necessidade de revisar a política migratória, após vários naufrágios com mortes de imigrantes no Mediterrâneo nas últimas semanas. Os representantes dos países chegaram no segundo dia de debates em Bruxelas com diferentes abordagens sobre como construir um acordo a respeito da chegada de imigrantes no bloco.

Agência Estado

25 de outubro de 2013 | 14h45

Os países não conseguiram avançar na questão, que resulta em tensas relações entre os países mediterrâneos, como a Itália, Espanha e Grécia - a primeira porta de entrada para muitos imigrantes - e os países do Norte, relutantes em receber mais refugiados.

Apesar de a União Europeia ter abolido o controle de fronteiras entre os mais de 28 países membros, ainda não há uma política de imigração comum. Os países não estão autorizadas a enviar imigrantes para nações localizadas no centro da Europa como uma forma de compartilhar os estrangeiros de maneira igual.

"Diante deste sofrimento estamos todos chateados, mas sabemos também que os fluxos migratórios são fenômenos complexos", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. O primeiro ministro da Finlândia, Jyrki Katainen, também se manifestou e disse que a política de imigração da União Europeia era muito boa, mas que o bloco deve trabalhar em estreita colaboração com outros países para reprimir o tráfico de pessoas. Katainen afirmou que os países precisam fazer mais para evitar tragédias envolvendo imigrantes no mar.

"Nós precisamos trabalhar mais para evitar situações similares como vimos em Lampedusa", disse o primeiro ministro, referindo-se ao naufrágio que ocorreu na costa italiana no último dia 3 de outubro, no qual cerca de 370 pessoas morreram, a maioria da Somália e Eritreia. Katainen também que União Europeia e de países não membros se concentrem no combate ao tráfico humano. "O tráfico de pessoas é o problema mais grave", disse.

O chanceler da Áustria, Werner Faymann, sinalizou uma abertura maior para revisar o atual sistema. Como medidas temporárias, a União Europeia deve montar um sistema de cotas para alocar refugiados e também uma ajuda financeira extra para os países localizados nas fronteiras externas do bloco. O chanceler disse que a adoção de uma política comum da União Europeia sobre imigração levaria "um longo período de tempo e muitas discussões".

A ideia de adotar cotas com base no tamanho relativo dos países membros e da capacidade de abrigar imigrantes já havia sido lançada, mas nunca conseguiu apoio. "Uma iniciativa deve ser tomada. É inaceitável que tantas pessoas já tenham morrido", disse o primeiro-ministro da Bélgica, Elio di Rupo. "Talvez para o próximo encontro possamos fazer algo concreto." Fonte: Dow Jones Newswires.

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