Líderes da UE se preparam para conversa dura em jantar com ucraniano

A União Europeia disse à Ucrânia que o país coloca em risco seu futuro econômico ao rejeitar um acordo de livre-comércio com o bloco para estreitar relações com a Rússia, tema que deve dominar o tenso jantar desta quinta-feira reunindo líderes europeus e o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich.

NATALIA ZINETS E ADRIAN CROFT, Reuters

28 de novembro de 2013 | 19h55

Yanukovich viajou para Vilnius, capital da Lituânia, a tempo para um jantar em homenagem à Parceira do Leste, um programa criado há quatro anos pela UE para se aproximar de antigas repúblicas soviéticas, como a Ucrânia.

Ele deveria assinar um abrangente acordo de livre-comércio e associação política com a UE durante a cúpula como resultado de anos de negociações.

Mas na semana passada, após intensa pressão de Moscou e crescentes preocupações sobre a grave situação econômica ucraniana, Yanukovich anunciou que ainda não está preparado para assinar o acordo e que em vez disso focará na retomada do diálogo econômico com a Rússia.

O comissário para a ampliação da UE, Stefan Fuele, disse que a decisão ucraniana de abandonar o acordo pode ameaçar seu futuro.

Contestando as estimativas ucranianas de que a modernização de sua base econômica para alcançar padrões europeus custaria 20 bilhões de dólares por ano, Fuele disse: "A economia ucraniana precisa de enormes investimentos, mas não são custos. Eles representam receita futura, mais crescimento, mais empregos e mais riqueza".

"Os únicos custos que eu vejo são os custos da inação permitindo mais estagnação da economia e colocando em risco o futuro econômico e a saúde do país" afirmou ele num fórum empresarial em Vilnius, acrescentando que a oferta da UE permanece sobre a mesa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou ao chegar a Vilnius que a oferta de aproximação comercial com Kiev continua aberta, mas que ela não tem a expectativa de que um acordo seja assinado na cúpula.

O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, foi menos definitivo e disse que a Ucrânia ainda não cumpriu os requisitos para um acordo com a UE.

"Ainda tenho uma pequena esperança de que possamos chegar a um acordo esta noite. Não descarto... Apresentamos nossas condições, elas não foram completamente preenchidas", disse Juncker a jornalistas.

Entre as condições para o acordo, a UE exigia que a Ucrânia resolvesse a questão da "justiça seletiva" em seus tribunais, uma exigência implícita de que trate da situação da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, arquirrival de Yanukovich, que está presa por acusações que seus seguidores dizem ter motivação política.

Enquanto Yanukovich chegava a Vilnius, milhares de manifestantes favoráveis à associação com a UE faziam um protesto na praça da Independência, em Kiev.

(Reportagem adicional de Andrius Sytas e Justyna Pawlak, em Vilnius; e de John O'donnell, em Bruxelas)

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