Ciro De Luca/REUTERS
Ciro De Luca/REUTERS

Líderes da UE triplicarão fundos para operação de resgate no Mediterrâneo

Uma reunião de emergência da UE foi convocada em Bruxelas depois que até 900 pessoas naufragaram em um único barco no domingo

O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 17h22

BRUXELAS - Os chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) decidiram nesta quinta-feira, 23, triplicar o orçamento da operação de vigilância marítima Tritón, atualmente de 2,9 milhões de euros por mês, para reforçar o resgate de imigrantes irregulares no mar. 

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, informou ao término da cúpula que "os líderes da União Europeia dEcidiram triplicar os recursos disponíveis para Tritón, a operação no Mediterrâneo central, e suas capacidades operativas". Ele acrescentou que os países "já se comprometeram a (enviar) mais barcos, especialistas, aviões e fundos". 


Uma reunião de emergência da UE foi convocada em Bruxelas depois que até 900 pessoas naufragaram em um único barco no domingo. Os números de pessoas que vêm se afogando na travessia no Mar Mediterrâneo fugindo da guerra e da pobreza na África e no Oriente Médio têm batido recordes. 

No desastre de domingo, houve apenas 28 sobreviventes, no que pode ter sido o pior já registrado envolvendo migrantes em fuga do norte africano rumo à Europa. 

Um funeral ecumênico comovente foi realizado em Malta para 24 das vítimas, as únicas cujos corpos foram recuperados até agora da embarcação, na qual se acredita haver muitos cadáveres presos nos pisos inferiores.

O imã Mohammed El Sadi disse que o que aconteceu deveria conscientizar as pessoas a respeito do sofrimento dos migrantes, e o bispo Mario Grech pediu ações motivadas pelo amor, e não só pela lei.

A Itália encerrou a missão de resgate Mare Nostrum, que salvou mais de 100 mil migrantes no ano passado, porque outros países do bloco se recusaram a financiá-la. Foi substituída por um esquema menor da UE cujo foco principal era patrulhar as fronteiras do bloco, já que as nações argumentaram que salvar migrantes incentiva outros a arriscar a viagem.

Autoridades da UE afirmaram que, assim que os líderes se comprometerem a ajudar, o aumento total anunciado pode ser maior. Mas problemas práticos, legais e políticos representados pela ação militar na Líbia, pelo estabelecimento de “centros de acolhimento” no exterior e até pela redistribuição de refugiados em países da União Europeia estão longe de resolvidos.

A Itália estima que até 200 mil pessoas irão chegar às suas praias este ano, um aumento em relação às cerca de 170 mil relatadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) em referência ao ano passado.

A Anistia Internacional qualificou as propostas da cúpula como “espantosamente inadequadas e vergonhosas”, declarando que elas não irão pôr fim a um movimento que resultou em quase 2 mil pessoas desaparecidas no mar este ano e estimadas 36 mil travessias bem-sucedidas do Mediterrâneo. / EFE e REUTERS 

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