Líderes das duas Coréias assinam acordo histórico

Além da cooperação econômica, Roh e Kim prometem assinar um tratado para pôr fim à Guerra da Coréia

O Estadao de S.Paulo

05 de outubro de 2007 | 00h00

Os líderes das duas Coréias assinaram ontem uma declaração conjunta pedindo um acordo de paz permanente e o fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países. O documento, assinado pelo presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, e pelo líder norte-coreano, Kim Jong-il, foi a conclusão de uma histórica reunião de três dias realizada em Pyongyang, capital da Coréia do Norte.''''O sul e o norte compartilham da opinião de que devem encerrar o atual sistema de armistício e criar um sistema permanente de paz'''', diz a declaração de oito pontos. É o mais próximo que os dois países chegaram até hoje de um acordo de paz. A península coreana foi dividida, após a 2ª Guerra Mundial, entre o norte - comunista - e o sul, aliado dos EUA. A Guerra da Coréia (1950-1953) terminou com o estabelecimento da fronteira no Paralelo 38.As duas Coréias, no entanto, nunca assinaram um cessar-fogo oficial, permanecendo em estado de guerra até hoje. O resultado do encontro, segundo analistas, superou as expectativas. Além de mostrar concessões feitas pelos dois lados, pavimentou o caminho para a reeleição dos conservadores, aliados do presidente Roh, nas eleições de dezembro.Para aumentar ainda mais o otimismo dos coreanos, o acordo aconteceu um dia depois de a Coréia do Norte ter se comprometido em desmantelar seu programa nuclear. Em troca o regime comunista ganhou também promessas de investimentos e ajuda financeira.A cooperação entre as Coréias prevê a abertura de uma linha ferroviária que atravessará a zona desmilitarizada, a criação de uma área conjunta de pesca e o estabelecimento de um corredor aéreo ligando Seul ao ponto mais alto da Coréia do Norte, o Monte Paektu, para que os sul-coreanos visitem o local considerado sagrado.Roh e Kim também concordaram em incentivar os encontros entre familiares separados há cinco décadas. Desde a primeira reunião entre as duas Coréias, em 2000, cerca de 18 mil pessoas reencontraram parentes do outro lado da fronteira.De acordo com o New York Times, a aproximação dos dois países já está atraindo investidores do sul, que procuram terras baratas para comprar no norte. ''''Muitos estão comprando terras minadas, investindo na retirada das minas e esperando a valorização, que viria com a unificação'''', disse Kim Young-sun, corretor sul-coreano citado pelo jornal. REUTERS, NYT E AP

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