Líderes das duas Coréias realizam encontro histórico

Presidente sul-coreano atravessa fronteira para cúpula de paz em Pyongyang, na Coréia do Norte

BBC Brasil,

02 de outubro de 2007 | 02h13

Os líderes da Coréia do Sul e da Coréia do Norte abriram nesta terça-feira, 2, a segunda reunião de cúpula já realizada entre os dois países - e a primeira nos últimos sete anos. Veja Também Coréias: 62 anos de divisão   O recluso líder da Coréia do Norte, Kim Jong-il, deu as boas-vindas na capital de seu país, Pyongyang, ao presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, que foi recebido por uma multidão nas ruas. Imagens de TV mostraram os dois líderes apertando as mãos antes da reunião, que terá duração de três dias. Antes de deixar Seul, Roh disse que seu objetivo é buscar um acordo de paz e crescimento econômico. Desde a Guerra da Coréia, de 1950 a 1953, os dois lados nunca assinaram um cessar-fogo oficial e permanecem tecnicamente em guerra. Fronteira A comitiva sul-coreana, formada por membros do governo, empresários, artistas e religiosos, deixou Seul na manhã desta terça-feira (noite de segunda-feira pelo horário de Brasília).  Ao chegar à zona desmilitarizada entre os dois países, o comboio parou para que Roh e sua mulher, a primeira-dama Kwon Yang-sook, pudessem cruzar a fronteira a pé. Foi a primeira vez que um líder sul-coreano atravessou a fronteira a pé. Os dois passaram por uma fita amarela na qual estavam escritas as palavras "paz" e "prosperidade". "Eu realmente espero que, depois da minha passagem, mais pessoas sigam o mesmo caminho", disse o presidente sul-coreano. "Esta linha será gradualmente apagada, e a barreira vai cair." Paz A primeira reunião entre líderes dos dois países ocorreu há sete anos, quando Kim Jong-il recebeu em Pyongyang o então presidente sul-coreano Kim Dae-jung. Na época, o líder norte-coreano prometeu fazer o caminho inverso, rumo a Seul, o que acabou nunca se realizando. Aquele encontro levou Kim a receber o Prêmio Nobel da Paz por sua política de reaproximação com o norte. Desde então, estradas e ferrovias ligando os dois países foram reconstruídas, e famílias divididas receberam permissão para se reencontrar, mesmo que rapidamente. Críticas No entanto, críticos afirmam que as tentativas de aproximação e as grandes quantias de doações do Sul não conseguiram acabar com o isolamento do norte nem melhorar as condições de direitos humanos no país. Segundo o correspondente da BBC em Seul, John Sudworth, alguns observadores duvidam que Kim Jong-il tenha planos de reconciliação. De acordo com o jornalista, os observadores acreditam que o líder norte-coreano prefere manter sua ameaça militar para obter mais ajuda econômica e outras concessões do sul. Os conservadores da oposição na Coréia do Sul já alertaram Roh para que não faça nenhuma concessão econômica "ingênua" apenas para obter um acordo.

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