Líderes de diferentes religiões rezam pela paz

Representantes cristãos, muçulmanos, judeus , budistas, xintoístas e de numerosas religiões tribais se reuniram nesta quinta-feira com o papa João Paulo II para uma cerimônia destinada a proclamar que a religião nunca deve ser utilizada para justificar a violência. Em meio a um desfile de turbantes, capas e véus, cerca de 200 dirigentes religiosos responderam ao chamado pontifício, feito após os ataques de 11 de setembro nos EUA, para que fosse à localidade de Assis, berço de São Francisco - um dos mais venerados santos da Igreja Católica. Os convidados lotaram um ginásio coberto que foi decorado com ramos de oliveira, símbolo da paz. Sentado em um trono de cor creme, o pontífice de 81 anos disse aos assistentes que com freqüência surgem conflitos entre os fiéis de diversas crenças religiosas devido a "uma associação injustificada da religião com interesses nacionalistas, políticos e econômicos". "É por isso mesmo essencial que os fiéis e as comunidades religiosas repudiem a violência da maneira mais clara e radical", acrescentou. "Não há objetivo religioso que possa justificar a violência do homem contra o homem". A cerimônia permitiu juntar um dos maiores números, até hoje reunidos, de líderes de diferentes grupos cristãos, onde estavam representados tanto os católicos como os batistas, luteranos, mórmons, menonitas e ortodoxos, entre outros grupos. A estes se somaram representantes judeus, muçulmanos, budistas, xintoístas e seguidores de religiões tribais, totalizando 12 confissões, se considerada a fé cristã como única. O encontro incluiu uma cerimônia inaugural, batizada como "testemunho da paz", com cantos budistas e hinos cristãos sessões de oração, seguidos de um almoço e da divulgação de uma declaração final. Alguns cristãos realçaram a necessidade do diálogo entre as religiões e de criar um mundo economicamente mais justo. Um dos representantes muçulmanos, o grande xeque da mesquita de Al Azhar no Cairo, agradeceu ao Vaticano seu "honorável apoio ao povo palestino". O rabino Israel Singer também se referiu ao conflito no Oriente Médio, ao dizer que não pode haver paz enquanto não se decidir "se as terras ou os lugares são mais importantes do que as vidas humanas". "A paz é demasiado importante para ser deixada a cargo dos generais", disse Singer.

Agencia Estado,

24 Janeiro 2002 | 16h32

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