AP Photo/Michel Euler
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Líderes de facções rivais na Líbia estabelecem cessar-fogo e definem eleições

Khalifa Haftar e Fayez al-Sarraj concordaram em deixar a força armada para ser usada somente em ações de combate ao terrorismo e trabalhar para estabelecer um plano para a segurança do país

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 14h39

PARIS - Os líderes de duas facções rivais na Líbia, o marechal Khalifa Haftar - que controla o leste do país - e Fayez al-Sarraj - o primeiro-ministro líbio -, se comprometeram a estabelecer um cessar-fogo durante um encontro na França, e deixarão a força armada para ser usada “estritamente” em ações de combate ao terrorismo.

Haftar e Sarraj assinaram nesta terça-feira, 25, um plano para ajudar a Líbia a sair da ilegalidade rumo à estabilidade. De acordo com o texto divulgado pela presidência da França, os dois líderes se comprometeram a trabalhar para realizar as eleições presidenciais e parlamentares “assim que possível”.

Eles também concordaram em trabalhar para estabelecer um plano para a segurança da Líbia contra o terrorismo e o tráfico. Com mediação do anfitrião, o presidente Emmanuel Macron, este é o segundo encontro entre Sarraj e Haftar em três meses, após a conversa em Abu Dhabi em maio.

Em 10 pontos, o projeto de declaração reafirma que apenas uma solução política permitirá à Líbia sair da crise. Além disso, reitera os acordos de Skhirat, assinados em 2015 sob mediação das Nações Unidas.

O cessar-fogo não se aplicaria à luta contra o terrorismo, ressalta o texto, que pede ainda a desmobilização das milícias e a formação de um Exército regular.

Fayez al-Sarraj, líder do frágil Governo de União Nacional (GNA), conta com o reconhecimento da comunidade internacional, enquanto o marechal Khalifa Haftar contesta sua legitimidade e acumula vitórias militares no terreno.

A rivalidade política e os combates entre as milícias rivais impediram a Líbia de se recuperar da situação crítica vivida no país desde a rebelião de 2011, que derrubou o ditador Muamar Kadafi, o qual acabou sendo assassinado.

O Governo de Unidade Nacional de Sarraj teve dificuldade para impor sua autoridade desde que começou seu trabalho em Trípoli, em março de 2016. A administração rival de Haftar, com sede no leste do país, não reconhece o governo de Sarraj.

Os serviços de inteligência ocidentais temem que os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) se aproveitem da situação para criar redutos na Líbia, à medida que estão sendo expulsos do Iraque e da Síria.

A Líbia também se tornou o ponto de partida de milhares de imigrantes africanos que querem chegar à União Europeia (UE), viajando pelo mar até a Itália em embarcações precárias.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, disse ao jornal Le Monde em junho que a Líbia é "prioridade" para Macron. / ASSOCIATED PRESS e AFP

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